Senadores importantes do Partido Republicano nos Estados Unidos manifestaram críticas neste sábado em relação aos termos divulgados de um acordo que o presidente Donald Trump estaria negociando com o Irã para encerrar o conflito entre os dois países. A discordância surge em meio a sinais de que Washington e Teerã estariam próximos de um memorando de entendimento que poderia pavimentar o caminho para negociações futuras.
O presidente Trump destacou que o acordo incluiria a reabertura do Estreito de Hormuz, uma rota marítima estratégica para o comércio global de petróleo, mas não mencionou o programa nuclear iraniano. Isso ocorre apesar de suas declarações anteriores de que o Irã não deveria obter armas nucleares e que deveria abrir mão de seu estoque de urânio enriquecido a 60%. Por sua vez, autoridades iranianas afirmaram que as questões nucleares não estão sendo discutidas nas negociações atuais.
O senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, que apoia fortemente a guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, expressou preocupação de que o acordo permita que o regime iraniano se fortaleça na região. Ele alertou que um acordo que deixe o Irã em uma posição dominante representaria um "pesadelo para Israel". Graham destacou que, se o Estreito de Hormuz não puder ser protegido contra ações iranianas, o país será visto como uma força dominante, capaz de ameaçar a infraestrutura petrolífera do Golfo Pérsico, alterando o equilíbrio de poder regional.
O senador Tom Cotton, presidente do Comitê de Inteligência do Senado, e Roger Wicker, do Mississippi e presidente do Comitê de Serviços Armados, também manifestaram críticas. Wicker alertou que um cessar-fogo de 60 dias, que estaria sendo discutido, seria um desastre e que tudo o que foi conquistado pela operação militar denominada "Epic Fury" seria perdido. Ele atribuiu a pressão para o acordo a conselheiros do presidente Trump, que estariam incentivando uma negociação que não teria valor real, em vez de permitir que o presidente concluísse sua estratégia.
O ex-secretário de Estado Mike Pompeo, que atuou no governo Trump, comparou o acordo emergente ao pacto nuclear de 2015 firmado durante a administração Obama. Para Pompeo, o acordo atual parece seguir uma lógica semelhante, que permitiria ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) desenvolver programas de armas de destruição em massa e continuar suas ações terroristas globalmente. Ele defendeu que os EUA deveriam priorizar o fechamento do Estreito de Hormuz para o Irã, cortar o acesso financeiro do país e neutralizar sua capacidade de ameaçar aliados na região.
Internamente, o presidente Trump enfrenta críticas tanto de republicanos que pedem ações militares mais duras quanto daqueles que desejam evitar um conflito prolongado. Recentemente, o Senado aprovou uma resolução que exigiria autorização do Congresso para a continuação da guerra, com uma votação apertada de 50 a 47, indicando uma divisão crescente dentro do partido. No entanto, uma votação similar na Câmara dos Representantes foi adiada, refletindo a complexidade política em torno do tema.
A oposição dentro do Partido Republicano ao acordo com o Irã evidencia as dificuldades de Trump para consolidar apoio em sua base para uma solução diplomática que possa encerrar o conflito. A falta de consenso sobre os termos e a exclusão das questões nucleares das negociações são pontos que podem comprometer a eficácia do acordo e sua aceitação internacional.
Do ponto de vista estratégico, um acordo que permita ao Irã manter ou expandir sua influência no Golfo Pérsico pode alterar significativamente o equilíbrio de poder na região, afetando aliados tradicionais dos EUA, como Israel e países do Golfo. A reabertura do Estreito de Hormuz é um ponto crucial, pois o controle dessa passagem é vital para o comércio global de energia. Caso o Irã mantenha capacidade de ameaçar essa rota, o risco de instabilidade econômica global aumenta.
Além disso, a ausência da questão nuclear nas negociações pode deixar brechas para o desenvolvimento de armas atômicas, o que seria um desafio para a segurança internacional. A continuidade das tensões pode levar a uma escalada militar ou a uma prolongada instabilidade diplomática, com impactos diretos sobre os mercados de energia e as alianças estratégicas na região. O próximo passo provável será a intensificação das negociações, mas com forte pressão política interna nos EUA para garantir que qualquer acordo seja sólido e que não comprometa a segurança dos aliados na região.