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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Seul cobra desculpas de Kyiv após Zelensky revelar transferência de prisioneiros norte-coreanos

Zelensky anunciou na ONU que a Ucrânia enviou dois prisioneiros norte-coreanos à Coreia do Sul. Seul diz que a transferência deveria permanecer secreta; a Presidência ucraniana nega haver acordo de confidencialidade.

Seul cobra desculpas de Kyiv após Zelensky revelar transferência de prisioneiros norte-coreanos

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou na Assembleia Geral da ONU que seu país transferiu recentemente dois prisioneiros de guerra norte-coreanos para a Coreia do Sul. A revelação abriu uma crise diplomática entre dois governos que vinham cooperando no caso: Seul convocou o encarregado de negócios ucraniano, Andrii Vieshkin, protestou formalmente e exigiu um pedido de desculpas.

O ponto da disputa não é a transferência em si, que a Ucrânia confirmou, mas sua divulgação. O governo sul-coreano afirma que havia um entendimento para manter a operação em sigilo. Segundo o gabinete do presidente sul-coreano Lee Jae Myung, Kyiv havia avisado que Zelensky mencionaria os prisioneiros em seu discurso, mas não que revelaria a entrega à Coreia do Sul. A Presidência ucraniana respondeu que não existia um acordo de confidencialidade entre os dois países.

Essa diferença parece técnica, mas tem consequências humanas e políticas. Seul disse que o sigilo buscava proteger as famílias dos prisioneiros e evitar críticas à Ucrânia por abrir mão de uma possível troca de detidos. Um dos dois norte-coreanos, segundo a Presidência ucraniana, havia tentado suicídio antes de ser capturado. O governo sul-coreano afirma que a divulgação prejudicou seriamente a confiança bilateral.

O caso vinha sendo tratado havia mais de um ano, segundo a Presidência sul-coreana. Em julho, Lee e Zelensky haviam concordado que a questão dos prisioneiros norte-coreanos seria conduzida conforme o direito internacional, princípios humanitários e a vontade dos próprios detidos. Esse entendimento é confirmado publicamente, mas não esclarece se incluía uma cláusula formal de sigilo, justamente o ponto agora contestado.

A disputa importa porque esses prisioneiros estão ligados à guerra travada pela Rússia contra a Ucrânia e à preocupação sul-coreana com a participação norte-coreana no conflito. Ao mesmo tempo, a Coreia do Sul é uma parceira relevante de Kyiv: em julho, anunciou um pacote de assistência de US$ 100 milhões, como ampliação de ajuda anterior não letal. O atrito não apaga essa cooperação, mas torna mais difícil a relação de confiança necessária para ampliar medidas práticas de apoio.

O episódio também expõe um problema que pode se repetir caso surjam outros prisioneiros norte-coreanos: os dois países precisarão deixar mais claro quem decide sobre a transferência, como será respeitada a escolha dos detidos e quais informações podem ser divulgadas. Sem um protocolo comum, uma operação apresentada como humanitária pode continuar produzindo desgaste político entre aliados.