Geopolítica Estratégica

GEOPOLÍTICA

ESTRATÉGICA

domingo, 04 de janeiro de 2026
⚡ BREAKING:
⚡ BREAKING NEWS
← Voltar para início
geopolitica

Sheinbaum nega crise diplomática entre México e Espanha após controvérsia sobre conquista

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que não há crise diplomática com a Espanha, apesar das tensões históricas sobre a conquista colonial. A visita à Espanha marca uma possível reaproximação após anos de relações frias, com reconhecimento público do rei Felipe VI sobre abusos coloniais. A cúpula em Barcelona reuniu líderes progressistas para debater democracia e extremismo, enquanto na Itália, grupos de

Sheinbaum nega crise diplomática entre México e Espanha após controvérsia sobre conquista

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que não existe uma crise diplomática com a Espanha, apesar das tensões históricas relacionadas à conquista do território mexicano pelos espanhóis. Ela fez essa declaração ao chegar para uma cúpula de líderes de esquerda em Barcelona, realizada no sábado, destacando a importância do reconhecimento da força dos povos indígenas do México.

As relações entre México e Espanha têm sido delicadas nos últimos anos, especialmente após pedidos de desculpas por parte do governo mexicano em relação aos abusos cometidos durante a colonização espanhola. A questão da conquista tem sido um tema sensível, gerando debates políticos e diplomáticos entre os dois países.

A cúpula em Barcelona, que reúne líderes progressistas, ocorre em um momento em que forças políticas de direita realizam encontros na Itália para discutir temas como imigração e burocracia da União Europeia. A presença de Sheinbaum no evento marca a primeira visita de um presidente mexicano à Espanha em oito anos.

Antes da cúpula, Sheinbaum se encontrou com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que não comentou diretamente sobre o estado das relações bilaterais. No entanto, o ministro da Economia da Espanha classificou a visita da presidente mexicana como um sinal positivo para o reatamento das relações entre os dois países.

O distanciamento diplomático entre México e Espanha se intensificou em 2019, quando o então presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador solicitou formalmente um pedido de desculpas por parte da Espanha pelos atos cometidos durante a conquista, que resultaram na morte de milhares de indígenas devido a conflitos e doenças. A ausência de resposta a essa solicitação levou Sheinbaum a não convidar o rei Felipe VI para sua posse em 2024, o que resultou na recusa da Espanha em enviar representantes oficiais ao evento.

Nos últimos meses, sinais de aproximação começaram a surgir. Em março, o rei Felipe VI reconheceu publicamente que houve abusos durante a colonização, um posicionamento inédito para um monarca espanhol. Ele afirmou que, ao analisar os fatos com os valores atuais, não há motivo para orgulho em certos aspectos da história colonial.

Além disso, foi revelado que Sheinbaum convidou o rei para participar da Copa do Mundo da FIFA, que será sediada conjuntamente pelo México, Estados Unidos e Canadá. A presidente mexicana destacou que o evento esportivo pode ser uma oportunidade para reforçar os laços históricos e culturais entre os dois países.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, também recebeu elogios de Sheinbaum após reconhecer a existência de "dor e injustiça" na história compartilhada entre os países.

A cúpula em Barcelona, que ocorreu no sábado, foi a quarta edição da iniciativa "Em Defesa da Democracia", que visa combater o extremismo e o autoritarismo. O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez enfatizou a necessidade de proteger o sistema multilateral diante de ataques crescentes e da normalização do uso da força em conflitos internacionais.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, co-presidente da cúpula, criticou o funcionamento do Conselho de Segurança da ONU, apontando que os cinco membros permanentes, detentores do poder de veto, têm agido como "senhores da guerra". Lula defendeu que nenhum país, por mais poderoso que seja, deve impor regras unilateralmente a outras nações.

Enquanto isso, em Milão, milhares de apoiadores do partido Patriotas pela Europa, de direita, realizaram um comício contra a imigração e a burocracia da União Europeia. O evento contou com a presença de líderes como Jordan Bardella, do partido francês Rassemblement National, Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro da Itália, e Geert Wilders, líder do partido holandês PVV.

Bardella destacou que a imigração e as regulamentações da Comissão Europeia sobre a indústria e as economias da zona do euro seriam temas centrais das discussões. Salvini afirmou que o grupo é o único adversário verdadeiro dos burocratas de Bruxelas, que, segundo ele, servem a interesses empresariais e militares.

O primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, cujo partido Fidesz também integra a aliança Patriotas pela Europa, não participou do evento, tendo sido recentemente derrotado nas eleições gerais do país por Péter Magyar, ex-aliado de Orbán.

A visita de Sheinbaum e os recentes gestos de reconhecimento por parte da Espanha indicam uma possível reaproximação entre os dois países, embora as feridas históricas ainda influenciem a dinâmica diplomática. O diálogo aberto e o reconhecimento mútuo dos erros do passado podem facilitar a cooperação futura em áreas como comércio, cultura e esportes.

No cenário internacional, a cúpula de Barcelona reflete as tensões entre forças políticas progressistas e conservadoras na Europa e América Latina, com debates acirrados sobre democracia, soberania e integração regional. A postura crítica de líderes como Lula e Sánchez em relação ao sistema multilateral e à ONU sugere que questões de governança global continuarão a ser centrais nas agendas diplomáticas.

O avanço nas relações México-Espanha pode abrir caminho para uma maior colaboração bilateral, mas o impacto dependerá da capacidade de ambos os países em equilibrar as demandas históricas com interesses contemporâneos. A Copa do Mundo pode servir como um catalisador simbólico para fortalecer esses laços, mas desafios políticos e sociais ainda precisam ser geridos cuidadosamente para evitar retrocessos.