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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Shell registra alta nos lucros com impacto da guerra no Irã e alta do petróleo

Shell registra alta nos lucros no 1º trimestre devido ao aumento dos preços do petróleo provocado pela guerra no Irã e bloqueio do Estreito de Hormuz.

Shell registra alta nos lucros com impacto da guerra no Irã e alta do petróleo

A Shell anunciou um crescimento significativo em seus lucros no primeiro trimestre do ano, impulsionado pelo aumento dos preços do petróleo desde o início do conflito envolvendo o Irã. A empresa reportou um lucro de US$ 6,92 bilhões, superando as expectativas dos analistas e representando um avanço em relação aos US$ 5,58 bilhões obtidos no mesmo período do ano anterior. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã tem provocado uma elevação acentuada no preço do petróleo, especialmente devido ao bloqueio quase total do Estreito de Hormuz, uma rota estratégica que normalmente transporta cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) global.

Na última semana, a concorrente BP também divulgou que seus lucros mais que dobraram no primeiro trimestre, refletindo o impacto da instabilidade no mercado energético. Outras companhias, como a norueguesa Equinor, relataram resultados recordes, com lucros trimestrais de US$ 9,77 bilhões, o maior valor em três anos. O CEO da Shell, Wael Sawan, destacou que os resultados expressam o foco contínuo da empresa em desempenho operacional, mesmo diante das interrupções sem precedentes nos mercados globais de energia.

Além da valorização do petróleo, a Shell atribuiu parte do aumento de seus lucros ao desempenho positivo de sua área de comercialização de petróleo, que se beneficia das oscilações nos preços do Brent, o principal referencial global. Antes do conflito, o barril de Brent custava cerca de US$ 73, mas chegou a ultrapassar US$ 120 em momentos de maior tensão, embora tenha apresentado quedas para abaixo de US$ 100 em outras ocasiões. Atualmente, o preço está próximo de US$ 101 por barril.

As variações expressivas no preço do petróleo ampliam as margens entre compra e venda, favorecendo lucros maiores para os traders. A refinaria da Shell também contribuiu para o aumento dos ganhos, com margens superiores na transformação do petróleo bruto em derivados como gasolina e querosene de aviação. Contudo, a produção da empresa em petróleo e gás caiu 4% em comparação com o último trimestre do ano passado, afetada diretamente pelo conflito.

A produção de GNL da Shell no Catar está suspensa desde o início de março, em decorrência do conflito, e o complexo Pearl GTL, também no Catar, sofreu danos causados por ataques. Em meio a esse cenário, a Shell anunciou a aquisição da produtora canadense de shale ARC Resources por US$ 16,4 bilhões, investimento que, segundo Sawan, deverá gerar valor sustentável a longo prazo.

O aumento expressivo dos lucros das empresas de energia tem gerado críticas de grupos ambientais, que apontam o desequilíbrio entre os ganhos das companhias e o impacto sobre consumidores, especialmente no aumento das contas de energia e dos preços dos combustíveis. Organizações como Friends of the Earth defendem o fortalecimento do imposto sobre lucros extraordinários para essas empresas e a redução da dependência de combustíveis fósseis por meio do incentivo a fontes renováveis.

No Reino Unido, as empresas do setor estão sujeitas ao Energy Profits Levy, um imposto criado em 2022 para tributar os lucros elevados decorrentes da invasão russa à Ucrânia. Este tributo foi prorrogado até março de 2030, mas incide apenas sobre os lucros obtidos na extração de petróleo e gás dentro do país, enquanto a maior parte dos ganhos das grandes companhias vem de operações internacionais.

As tarifas de gás e eletricidade para a maioria das residências britânicas permanecem protegidas por um teto tarifário até o final de junho, com a conta anual média para consumidores que pagam por débito direto fixada em £1.641. No entanto, a alta dos preços no atacado do petróleo e gás, impulsionada pelo conflito no Irã, deve provocar um aumento estimado de cerca de £200 no teto tarifário a partir de julho.

A conjuntura atual evidencia a sensibilidade dos mercados globais de energia a eventos geopolíticos e a importância das rotas estratégicas como o Estreito de Hormuz. A escalada do conflito tem provocado volatilidade nos preços do petróleo, beneficiando grandes produtoras, mas também pressionando consumidores e governos a buscarem alternativas para garantir segurança energética.

A continuidade do conflito e a possibilidade de prolongamento do bloqueio na região podem manter os preços elevados, estimulando investimentos em produção alternativa e fontes renováveis. As empresas do setor devem acompanhar de perto o desenrolar das negociações e a estabilidade das rotas comerciais para ajustar suas estratégias operacionais e financeiras.

Além disso, o debate sobre tributação e regulação dos lucros extraordinários tende a ganhar força, especialmente em países que enfrentam aumento de custos para consumidores finais. A capacidade dos governos de equilibrar a arrecadação fiscal e incentivar a transição energética será crucial para mitigar impactos sociais e econômicos decorrentes dessa conjuntura.