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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Sistema de fronteira da UE triplica tempo em controle de passaportes em aeroportos europeus

Novo sistema de controle de fronteiras da UE triplica o tempo de espera no controle de passaportes em aeroportos europeus, afetando principalmente viajantes britânicos.

Sistema de fronteira da UE triplica tempo em controle de passaportes em aeroportos europeus

A implementação do novo sistema de controle de fronteiras da União Europeia (UE), conhecido como Entry Exit System (EES), tem causado um aumento significativo no tempo de espera para passageiros, especialmente cidadãos britânicos, ao passarem pelo controle de passaportes em aeroportos europeus. Autoridades do Aeroporto de Fiumicino, em Roma, relataram que o tempo médio para os viajantes do Reino Unido passou de sete para cerca de 20 minutos, mesmo após melhorias no processo.

O EES, que entrou em fase de implantação desde outubro, exige que cidadãos não pertencentes à UE que entram na área Schengen registrem suas impressões digitais e uma fotografia na chegada. Esses dados são verificados novamente na saída do espaço. O sistema utiliza principalmente quiosques automáticos, mas também envolve agentes de fronteira para casos específicos, como crianças menores de 12 anos.

Apesar do objetivo de modernizar e agilizar o controle de fronteiras, diversos aeroportos europeus têm enfrentado longas filas, com relatos de esperas que chegam a horas. Passageiros relatam atrasos que, em alguns casos, resultaram em perda de voos. A companhia aérea Ryanair alertou seus clientes para se prepararem para filas mais extensas durante o verão europeu, destacando falhas na implantação do EES como uma das causas principais.

Em Roma, passageiros compartilharam experiências de espera prolongada. Uma família britânica enfrentou fila de duas horas para passar pelo controle, enquanto turistas americanos relataram atrasos que os fizeram perder transporte previamente agendado. Em Barcelona, outro aeroporto afetado, o tempo de espera no controle de passaportes chegou a quase uma hora, segundo relatos.

O Aeroporto de Fiumicino investiu cerca de 12 milhões de euros em quiosques automáticos para o EES, mas a alta demanda e a complexidade do sistema têm dificultado a fluidez do processo. Para tentar mitigar os problemas, cidadãos do Reino Unido agora podem utilizar os portões eletrônicos de passaporte, que registram biometria, reduzindo a necessidade de usar os quiosques independentes. No entanto, a situação ainda está longe do ideal, e as filas longas persistem.

Ivan Bassato, diretor de aviação do aeroporto romano, reconheceu que o sistema precisa de ajustes urgentes para eliminar redundâncias e melhorar a eficiência. Ele também destacou a importância de ampliar o uso do aplicativo de pré-registro da UE, atualmente adotado apenas por Suécia e Portugal, para facilitar o processo de entrada.

Em Portugal, no Aeroporto de Faro, a situação também apresenta desafios. O superintendente Pedro Oliveira, responsável pelo controle de fronteiras, informou que filas que antes duravam cerca de dez minutos podem se estender para mais de 30 minutos devido a problemas técnicos e ao volume elevado de passageiros, principalmente britânicos. Apesar disso, ele garantiu que filas superiores a uma hora são raras e que o sistema automatizado continua sendo a forma mais rápida de passagem.

Oliveira explicou que o EES depende fortemente da infraestrutura tecnológica da UE, e falhas nos servidores, que podem ocorrer simultaneamente em vários países membros, impactam diretamente o funcionamento do sistema. Embora essas interrupções estejam se tornando menos frequentes, elas ainda representam um desafio operacional.

Para compensar os atrasos, mais agentes de fronteira foram contratados, e crianças menores de 16 anos têm seus dados biométricos coletados diretamente por oficiais, evitando o uso dos quiosques automáticos.

A Comissão Europeia afirmou que, na maioria dos aeroportos da UE, os transtornos são limitados e que continuará apoiando os países membros na implementação do EES. No entanto, pedidos de suspensão temporária do sistema em períodos de alta demanda não foram atendidos em reuniões recentes.

A introdução do EES representa um avanço tecnológico importante para a segurança e o controle migratório na Europa, mas sua implementação inicial tem gerado impactos operacionais significativos. A necessidade de ajustes técnicos e operacionais é evidente para garantir que o sistema funcione de maneira eficiente sem prejudicar a experiência dos viajantes.

No médio prazo, o sucesso do EES dependerá da capacidade dos países membros de integrar plenamente a tecnologia, otimizar processos e ampliar o uso de ferramentas digitais como o pré-registro. A pressão para reduzir filas e evitar atrasos será crucial para manter a confiança dos passageiros e o fluxo do turismo e negócios na região Schengen.

Além disso, a coordenação entre os estados membros e a Comissão Europeia será fundamental para resolver problemas técnicos e definir protocolos que possam flexibilizar o uso do sistema em situações excepcionais, minimizando impactos durante períodos de pico.

Em suma, o EES é uma iniciativa estratégica para fortalecer o controle das fronteiras externas da UE, mas sua eficácia dependerá da capacidade de adaptação e melhoria contínua frente aos desafios operacionais identificados na fase inicial de implementação.