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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Soldado dos EUA é acusado após lucrar US$ 400 mil com apostas sobre remoção de Maduro

Soldado americano é acusado de insider trading após lucrar mais de US$ 400 mil apostando na remoção de Nicolás Maduro com base em informações confidenciais da operação militar que capturou o ex-presidente venezuelano.

Soldado dos EUA é acusado após lucrar US$ 400 mil com apostas sobre remoção de Maduro

Um soldado das forças especiais dos Estados Unidos foi formalmente acusado após supostamente realizar apostas que resultaram em ganhos superiores a US$ 400 mil, baseando-se em informações confidenciais sobre a operação militar que capturou o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) apresentou as acusações contra Gannon Ken Van Dyke, que teria utilizado dados sigilosos não divulgados ao público para fazer negociações em uma plataforma de apostas criptografadas chamada Polymarket.

Van Dyke, atualmente em serviço ativo no Exército dos EUA e lotado em Fort Bragg, Carolina do Norte, teria criado uma conta na Polymarket em 26 de dezembro de 2025 e iniciado apostas relacionadas a mercados vinculados a Maduro e à Venezuela. Segundo as autoridades, ele realizou apostas superiores a US$ 33 mil enquanto detinha informações classificadas sobre a operação militar denominada Operação Resolução Absoluta.

A operação, realizada em 3 de janeiro, resultou na captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em seu complexo em Caracas. Eles foram transferidos para Nova York para responder a acusações relacionadas a armas e tráfico de drogas, as quais negam. Van Dyke teria apostado no momento e no desfecho da operação, buscando lucro pessoal, conforme detalhado pelo DOJ.

A plataforma Polymarket informou que, ao identificar o uso de informações governamentais confidenciais para negociações, encaminhou o caso ao Departamento de Justiça e colaborou com as investigações. A empresa ressaltou que práticas de insider trading são proibidas em seu ambiente e que a prisão do soldado demonstra a eficácia do sistema de monitoramento.

O soldado enfrenta múltiplas acusações, incluindo uso ilegal de informações confidenciais do governo para ganho pessoal, furto de informações não públicas, fraude em commodities, fraude eletrônica e transação monetária ilícita, conforme documentos judiciais divulgados. O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, destacou que militares têm acesso a informações classificadas para garantir a segurança e eficácia das missões, sendo proibido o uso dessas informações para benefício financeiro.

Jay Clayton, procurador dos EUA para o Distrito Sul de Nova York, onde o caso será julgado, afirmou que mercados de previsão não devem servir como ambiente para uso indevido de informações confidenciais. Van Dyke teria assinado acordos de confidencialidade comprometendo-se a não divulgar informações sensíveis relacionadas a operações militares.

De acordo com os promotores federais, entre 8 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026, Van Dyke participou do planejamento e execução da Operação Resolução Absoluta, tendo acesso a dados classificados e não públicos. A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC) também apresentou queixa contra o soldado por insider trading.

Em resposta a questionamentos sobre o caso, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou não estar ciente das apostas, mas indicou que investigaria o assunto. Ele expressou insatisfação com mercados de previsão, comparando-os a cassinos e demonstrando ceticismo quanto à sua regulamentação e impacto.

Essa situação evidencia os desafios enfrentados na era digital para o controle do uso de informações sigilosas, especialmente em ambientes militares e financeiros. O caso pode impulsionar revisões nas políticas de segurança da informação e na supervisão das plataformas de apostas baseadas em criptomoedas.

Do ponto de vista estratégico, a exposição de um militar ao uso indevido de dados confidenciais pode comprometer a confiança nas forças armadas e afetar a condução de operações futuras. Além disso, o incidente ressalta a necessidade de fortalecer mecanismos de monitoramento e prevenção de insider trading em mercados emergentes, como os de previsão, que ganham popularidade e complexidade.

Espera-se que o processo judicial contra Van Dyke sirva como precedente para a aplicação rigorosa das leis federais relacionadas à segurança nacional e ao uso ético de informações classificadas, além de incentivar a cooperação entre agências reguladoras e plataformas digitais para evitar abusos semelhantes.