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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Somália registra troca de tiros em Mogadíscio após impasse sobre adiamento das eleições

Confrontos armados em Mogadíscio aumentam após disputa sobre adiamento das eleições na Somália, com oposição contestando prorrogação do mandato presidencial.

Somália registra troca de tiros em Mogadíscio após impasse sobre adiamento das eleições

Na capital da Somália, Mogadíscio, confrontos armados intensos ocorreram após o agravamento das disputas políticas relacionadas ao adiamento das eleições no país. A situação se deteriorou após o término do mandato do presidente Hassan Sheikh Mohamud em 15 de maio, que foi prorrogado por mais um ano, decisão contestada pela oposição por considerá-la inconstitucional. Em resposta, a oposição convocou protestos para o dia seguinte, gerando uma escalada de violência.

Durante a noite, moradores relataram troca de tiros em vários bairros da cidade, com relatos de uso de armas pesadas e ataques com morteiros. A polícia local informou que está realizando uma operação de segurança em larga escala para conter milícias armadas que teriam lançado ataques com morteiros em diferentes áreas da capital.

A Somália não realiza eleições diretas desde 1969, e o país enfrenta uma guerra civil prolongada há mais de três décadas. O ex-primeiro-ministro Hassan Ali Khaire afirmou ter sido alvo de ataques das forças governamentais enquanto se preparava para liderar manifestações pacíficas contra a prorrogação do mandato presidencial. Ele responsabilizou o presidente pelo uso da força e pela supressão do direito à manifestação pacífica.

Testemunhas relataram que uma casa foi atingida por um morteiro, ferindo uma mulher, e que outra residência de grande porte foi incendiada durante os confrontos. Até o momento, não há informações precisas sobre o número de vítimas, e o presidente Mohamud ainda não se pronunciou sobre o ocorrido.

O ex-presidente Sharif Sheikh Ahmed, aliado da oposição, declarou que as ameaças não intimidarão os manifestantes e que não pretendem recuar diante da repressão. Apesar dos confrontos, os protestos previstos não foram realizados, e a cidade apresenta relativa calma, com disparos esporádicos ainda sendo ouvidos em alguns bairros.

As autoridades da aviação civil da Somália negaram que a violência tenha afetado as operações no Aeroporto Aden Adde, assegurando que todos os voos programados estão ocorrendo normalmente.

A embaixada dos Estados Unidos em Mogadíscio classificou os episódios de violência como irresponsáveis e ressaltou que os líderes políticos têm a responsabilidade de manter a estabilidade e resolver as divergências por meios pacíficos. O bloco regional IGAD condenou todos os atos violentos e pediu moderação e diálogo entre as partes. A Delegação da União Europeia no país também enfatizou a importância de priorizar os interesses nacionais e buscar um consenso sobre o calendário eleitoral em benefício da população somali.

Mohamud foi eleito pelo parlamento em 2022, derrotando o então presidente Mohamed Abdullahi Mohamed, conhecido como Farmajo. Seu mandato anterior, entre 2012 e 2017, foi marcado pela luta contra o grupo jihadista al-Shabab, que ainda controla vastas áreas do território somali.

Após o fim do mandato, o governo federal e a oposição iniciaram negociações que não resultaram em acordo. O presidente tem buscado avançar para eleições democráticas diretas, substituindo o sistema atual, no qual líderes de clãs escolhem membros do parlamento, que por sua vez elegem o presidente.

A oposição discorda do modelo proposto para as eleições diretas e rejeita a emenda constitucional que estendeu o mandato presidencial por mais um ano. Além disso, questiona a legitimidade das novas leis sobre partidos políticos e a nomeação dos comissários eleitorais, alegando que esses processos não foram inclusivos e podem comprometer a transparência e a justiça do pleito.

Esses eventos destacam a fragilidade do processo político na Somália e a dificuldade em avançar para uma governança estável e democrática. A continuidade dos confrontos pode agravar a insegurança na capital e dificultar ainda mais a realização de eleições legítimas, essenciais para a pacificação do país.

A situação exige atenção das autoridades locais e da comunidade internacional para evitar uma escalada maior da violência e buscar caminhos para o diálogo e a resolução pacífica dos impasses políticos. O próximo passo provável será a retomada das negociações entre governo e oposição, com pressão internacional para que se alcance um acordo que permita a realização das eleições dentro de um calendário definido e aceito por todas as partes.