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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Suécia: campanha da extrema-direita no metrô de Estocolmo gera reações e debate político

Campanha da extrema-direita na Estação Central de Estocolmo critica imigrantes e gera protestos, refletindo mudanças políticas na Suécia antes das eleições de 2026.

Suécia: campanha da extrema-direita no metrô de Estocolmo gera reações e debate político

Em agosto de 2026, a Estação Central de Estocolmo foi palco de uma campanha eleitoral do partido de extrema-direita Democratas da Suécia (SD), que gerou controvérsia e reações diversas na sociedade sueca. A iniciativa, que custou cerca de 100 mil dólares, incluiu cartazes e mensagens com forte tom crítico a imigrantes, como "Se você comete crimes, vive de benefícios, não aprende sueco ou se comporta mal, você não é bem-vindo". A campanha ocorreu poucas semanas antes das eleições gerais marcadas para 13 de setembro, nas quais o SD aparece em segundo lugar nas pesquisas e pode integrar o governo caso a coalizão de direita vença.

Neira Tokalija, terapeuta de 39 anos e filha de imigrantes da Bósnia e Herzegovina que fugiram de campanhas de limpeza étnica, relatou sentir medo e exclusão ao ver os cartazes. Ela afirmou que, apesar de seus esforços como imigrante de segunda geração, a mensagem transmitida é que nunca será considerada suficientemente sueca. Para muitos, o tom da campanha remete a traumas históricos e reforça a sensação de rejeição.

Além da Estação Central, o SD promoveu outras ações em redes de transporte público, como anúncios em ônibus no oeste da Suécia com a frase "Sente falta de Mogadíscio? O auxílio para repatriação ajuda você a voltar para casa". Esse auxílio, criado na década de 1980 para incentivar refugiados a retornarem a seus países de origem, foi recentemente ampliado pelo governo de coalizão de centro-direita, que inclui o SD, passando de cerca de 1.000 para 36.000 dólares por adulto.

A campanha provocou protestos, incluindo a paralisação de cerca de 20 motoristas de ônibus de origem somali que se recusaram a trabalhar. A empresa de transporte Vasttrafik retirou os anúncios, citando preocupações com assédio e riscos ao ambiente de trabalho. O SD contestou a medida, classificando-a como censura e sabotagem eleitoral.

Historicamente marginalizado, o SD vem ganhando espaço no cenário político sueco. Após as eleições de 2018, que resultaram em impasse, partidos de direita passaram a negociar com o SD. Em 2022, a coalizão atual foi formalizada com a assinatura do Acordo de Tidö, que inclui o SD. Em maio de 2026, a líder do Partido Liberal, Simona Mohamsson, anunciou apoio à participação do SD no governo, um movimento que causou surpresa pela trajetória antirracista da política, que tem origem palestina e libanesa.

Funcionários que atuaram durante a campanha na Estação Central relataram um ambiente tenso e desconfortável. Muitos consideram que a normalização do SD contribuiu para a ousadia da campanha. A ênfase do governo na repatriação ocorre em meio a escândalos envolvendo deportações controversas, como a de um bebê de oito meses para o Irã e a expulsão de jovens que cresceram na Suécia, medidas que foram temporariamente suspensas e estão em processo de revisão.

Apesar do impacto negativo da campanha, houve reações de resistência. Um voluntário que arrecadava fundos para uma organização de ajuda a palestinos em Gaza relatou que debates acalorados ocorreram com representantes do SD, especialmente sobre o Islã e o apoio do partido a Israel. Essas discussões motivaram doações maiores que o habitual para a caridade.

Analistas políticos observam que o SD pode ter atingido seu limite de crescimento, com sua ênfase na imigração e repatriação começando a afastar eleitores. Pesquisas recentes indicam uma leve queda na intenção de voto, de 20,5% em 2022 para cerca de 18-19% em agosto de 2026.

Neira Tokalija destacou que, apesar das dificuldades, ainda percebe uma parte da sociedade sueca receptiva e interessada em outras culturas. No entanto, ela critica a retórica atual que exige a completa adaptação dos imigrantes, negando suas identidades multiculturais e religiosas, e impõe uma escolha entre assimilação total ou exclusão, o que ela associa a ideologias fascistas que sua família enfrentou no passado.

A campanha do SD na Estação Central de Estocolmo e as ações subsequentes refletem uma mudança significativa no panorama político e social da Suécia. A aceitação crescente do partido de extrema-direita no governo pode influenciar políticas migratórias e sociais, além de afetar a coesão social em um país historicamente conhecido por sua abordagem inclusiva.

O aumento do auxílio para repatriação e a retórica do SD indicam uma tendência de endurecimento nas políticas de imigração, que pode gerar maior polarização e tensões sociais. A resposta da sociedade civil, incluindo protestos e debates públicos, será fundamental para definir os rumos dessas mudanças. As eleições de setembro serão decisivas para consolidar ou frear essa influência, e o comportamento dos partidos tradicionais frente ao SD será um fator determinante para o futuro político da Suécia.