Na segunda-feira, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por uma margem apertada de 5 a 4, rejeitar a contestação apresentada pelo ex-presidente Donald Trump que buscava restringir os prazos para a contagem de votos enviados por correio nas eleições legislativas de 2026. A decisão manteve a validade de uma lei do estado do Mississippi que permite que cédulas postadas até o dia da eleição sejam contabilizadas mesmo que cheguem até cinco dias após essa data.
A juíza Amy Coney Barrett, escrevendo a decisão majoritária, destacou que as regras eleitorais do Mississippi estabelecem o dia da eleição como o prazo final para que o eleitor exerça seu direito, o que é cumprido desde que o voto seja postado até esse dia. Por outro lado, o juiz Samuel Alito, em voto divergente, argumentou que aceitar votos recebidos após o dia da eleição postergaria a definição do resultado eleitoral, contrariando a legislação federal.
Após o veredito, Donald Trump manifestou-se por meio da rede social Truth Social, classificando a decisão como uma grande derrota para os direitos dos eleitores e reforçou seu pedido para que o Congresso aprove o chamado Save America Act. Essa proposta legislativa visa impor exigências rigorosas para o voto por correio, incluindo a apresentação de identificação com foto e comprovação de cidadania, além de restringir significativamente essa modalidade de votação.
Trump tem defendido há anos a necessidade de endurecer as leis eleitorais nos EUA, alegando que fraudes em larga escala teriam prejudicado sua vitória na eleição presidencial de 2020 contra Joe Biden. As regras eleitorais variam consideravelmente entre os estados americanos, com alguns permitindo o voto sem exigência de identificação com foto ou comprovação de cidadania.
Por sua vez, democratas e grupos de defesa dos direitos eleitorais argumentam que as propostas de Trump dificultariam o acesso ao voto para grupos vulneráveis, como minorias, pessoas de baixa renda e idosos. A decisão da Suprema Corte ocorre em um momento crítico, pouco antes das eleições de meio de mandato de 2026, que definirão o controle do Congresso.
Essa decisão da Suprema Corte reafirma a autonomia dos estados para estabelecer prazos e regras para a votação por correio, dentro dos limites constitucionais. A rejeição da contestação de Trump evita mudanças abruptas nas regras eleitorais em um momento próximo ao pleito, garantindo maior estabilidade ao processo eleitoral.
No entanto, o debate sobre a segurança e a integridade das eleições permanece intenso nos EUA. A proposta legislativa defendida por Trump pode voltar a ganhar força no Congresso, especialmente entre parlamentares republicanos que compartilham preocupações semelhantes sobre fraudes eleitorais. A polarização em torno do tema indica que futuras disputas judiciais e políticas sobre regras eleitorais são prováveis.
Em termos estratégicos, a manutenção das regras atuais para votos por correio pode beneficiar eleitores que dependem dessa modalidade, preservando o acesso ao voto em um país com grande diversidade regional e demográfica. Por outro lado, a pressão por reformas eleitorais mais restritivas pode levar a um endurecimento das normas em estados controlados pelos republicanos, o que pode influenciar o equilíbrio político nas próximas eleições.
Assim, o cenário eleitoral americano segue marcado por tensões entre a busca por segurança e integridade e a garantia da ampla participação dos eleitores. A Suprema Corte, ao decidir pela manutenção das regras vigentes, contribui para a estabilidade do processo eleitoral imediato, mas o tema continuará a ser objeto de intenso debate e possíveis mudanças legislativas no futuro próximo.