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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Surto de Ebola na República Democrática do Congo registra aumento recorde e chega a 178 mortes

Surto de Ebola na RDC atinge 782 casos e 178 mortes, com recorde diário de novos casos e desafios de contenção devido a conflitos e falta de recursos.

Surto de Ebola na República Democrática do Congo registra aumento recorde e chega a 178 mortes

A República Democrática do Congo (RDC) enfrenta um aumento significativo no número de casos confirmados do surto de Ebola, que já alcançou 782 registros, com 178 mortes confirmadas até o momento. Esse crescimento representa um dos maiores saltos diários desde o início do surto, evidenciando os desafios enfrentados pelas autoridades de saúde para conter a propagação do vírus.

Nas últimas 24 horas, foram reportados 72 novos casos e 29 óbitos adicionais, um recorde diário que preocupa as autoridades locais e internacionais. O surto atual é causado pela cepa rara do vírus Bundibugyo, que apresenta uma taxa de mortalidade de aproximadamente 22,8%. Até agora, 40 pacientes conseguiram se recuperar da doença.

Diferentemente da cepa Zaire, responsável por surtos anteriores na RDC e para a qual existem vacinas e tratamentos aprovados, o vírus Bundibugyo não dispõe de imunizações ou terapias específicas reconhecidas, o que dificulta o controle da epidemia. Além disso, a cobertura do rastreamento de contatos caiu para 56,5%, muito abaixo da meta de 95%, comprometendo a eficácia das medidas de contenção.

Organizações humanitárias, como Médicos Sem Fronteiras (MSF), alertam para a subnotificação dos casos devido a lacunas significativas na vigilância e nos testes, principalmente em áreas afetadas por conflitos armados e instabilidade social. A província de Ituri, no leste da RDC, permanece o epicentro do surto, concentrando quase 95% dos casos confirmados.

A situação humanitária em Ituri agrava a crise de saúde pública. Cerca de um milhão de pessoas foram deslocadas devido a confrontos entre grupos armados, incluindo o movimento rebelde M23, que controla a cidade de Goma, capital da província de Kivu do Norte. A região enfrenta décadas de instabilidade, com relatos de massacres e disputas violentas pelo controle das riquezas minerais locais.

A mineração artesanal, comum na região, contribui para a disseminação do vírus, já que trabalhadores transitam entre locais clandestinos, dificultando o monitoramento sanitário. O surto teve origem na zona de saúde de Mongbwalu, uma área intensamente mineradora em Ituri.

Além da RDC, o vírus já ultrapassou fronteiras, com casos detectados em Uganda, aumentando a preocupação regional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) está intensificando os esforços para ampliar os testes diagnósticos e o rastreamento de contatos, mas enfrenta limitações financeiras.

O MSF reporta um déficit crítico de financiamento de 21,5 milhões de dólares, que compromete a capacidade de resposta à epidemia. Autoridades de saúde e agências internacionais fazem um apelo urgente para a mobilização de recursos que possam fortalecer as ações de contenção e salvar vidas.

A complexidade do cenário na RDC, marcada pela combinação de um vírus sem tratamento específico, dificuldades logísticas, conflitos armados e deslocamento populacional, cria um ambiente propício para a rápida disseminação do Ebola. A redução na cobertura do rastreamento de contatos e a subnotificação dos casos indicam que o número real de infectados pode ser maior do que o registrado oficialmente.

Para os próximos meses, a prioridade será ampliar a capacidade de vigilância epidemiológica, garantir o acesso a áreas de difícil alcance e fortalecer a cooperação regional para impedir a propagação do vírus. O controle do surto dependerá também da estabilização da situação de segurança em Ituri e nas províncias vizinhas, para que as equipes de saúde possam atuar com maior eficácia.

A mobilização internacional e o apoio financeiro são cruciais para evitar um agravamento da crise e reduzir o impacto sobre as populações locais, que já enfrentam múltiplas vulnerabilidades. A continuidade do surto pode afetar não apenas a saúde pública, mas também a estabilidade social e econômica da região, exigindo uma resposta coordenada e sustentada.