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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Tribunal da UE critica sigilo da Comissão em contratos da vacina Covid, incluindo acordo com Pfizer

Conselheiro do Tribunal da UE critica sigilo da Comissão Europeia em contratos das vacinas Covid, incluindo acordo com Pfizer negociado por Ursula von der Leyen.

Tribunal da UE critica sigilo da Comissão em contratos da vacina Covid, incluindo acordo com Pfizer

Um parecer recente de um conselheiro do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) apontou que a Comissão Europeia agiu de forma inadequada ao manter em segredo os detalhes dos contratos firmados para a compra de vacinas contra a Covid-19. Entre esses acordos, destaca-se o contrato com a Pfizer, negociado pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, através de mensagens de texto.

O advogado-geral Athanasios Rantos, responsável pelo parecer, destacou que a insistência da Comissão em manter os termos dos contratos e os nomes dos negociadores confidenciais impediu a verificação de possíveis conflitos de interesse entre os negociadores e as empresas farmacêuticas envolvidas. Essa falta de transparência gerou questionamentos sobre a lisura do processo de aquisição das vacinas.

Entre 2020 e 2021, a Comissão Europeia assinou seis acordos de compra antecipada com grandes fabricantes de vacinas, incluindo Pfizer, AstraZeneca e Moderna, totalizando um valor aproximado de 71 bilhões de euros. Quando parlamentares do grupo dos Verdes e milhares de cidadãos solicitaram acesso às informações sobre as negociações, a Comissão respondeu ocultando os nomes dos negociadores e várias cláusulas contratuais, alegando proteger os envolvidos de ataques de teorias conspiratórias.

Em 2024, a Comissão perdeu uma disputa judicial que buscava manter esses documentos sob sigilo, mas recorreu da decisão ao Tribunal de Justiça da União Europeia. O parecer de Rantos, embora não vinculativo, servirá de base para a decisão final do tribunal.

O caso ganhou repercussão internacional em 2021, quando Ursula von der Leyen revelou que havia negociado um contrato no valor de 35 bilhões de euros para a compra de 900 milhões de doses da vacina da Pfizer por meio de mensagens SMS com o CEO da empresa, Albert Bourla. A imprensa solicitou o acesso a essas mensagens, sugerindo que o uso de SMS poderia ter sido uma forma de evitar as regras de transparência da UE. A Comissão afirmou que as mensagens haviam sido perdidas, mas o tribunal concluiu que não foram apresentadas explicações convincentes para a ausência dos documentos.

Apesar da controvérsia, von der Leyen resistiu a uma moção de desconfiança apresentada por partidos de direita no Parlamento Europeu em julho do ano anterior. O episódio ficou conhecido como 'Pfizergate' e continua a gerar debates sobre a transparência e a governança da União Europeia em momentos críticos.

A decisão final do TJUE poderá estabelecer precedentes importantes para a divulgação de informações em processos de negociação pública, especialmente em situações de emergência sanitária. A pressão por maior transparência pode levar a mudanças nas práticas contratuais da Comissão, influenciando a confiança dos cidadãos nas instituições europeias.

No cenário estratégico, a manutenção do sigilo em contratos de grande relevância pública pode afetar a percepção da União Europeia em relação à sua governança e à capacidade de lidar com crises de saúde. A decisão do tribunal poderá reforçar mecanismos de controle e exigir maior abertura, o que pode impactar futuras negociações com empresas privadas e a gestão de recursos públicos.

Além disso, o caso evidencia a tensão entre a necessidade de agilidade em negociações emergenciais e os princípios de transparência e prestação de contas. O equilíbrio entre esses aspectos será fundamental para a credibilidade das instituições europeias e para a eficácia das políticas públicas em situações de crise.