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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Tribunal de apelação dos EUA restabelece decisão que permite vítimas americanas de terrorismo processarem Autoridade Palestina e OLP

Tribunal de apelação dos EUA restabelece indenização de US$ 656 milhões para vítimas americanas de ataques terroristas em Israel, permitindo que processem a Autoridade Palestina e a OLP após decisão da Suprema Corte.

Tribunal de apelação dos EUA restabelece decisão que permite vítimas americanas de terrorismo processarem Autoridade Palestina e OLP

Um tribunal de apelação dos Estados Unidos restabeleceu uma sentença no valor de 656 milhões de dólares contra a Autoridade Palestina (AP) e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), beneficiando vítimas americanas de ataques terroristas ocorridos em Israel. A decisão da Corte de Apelações do Segundo Circuito dos EUA ocorre após uma determinação da Suprema Corte americana que autorizou o avanço de processos judiciais contra essas entidades palestinas.

O caso remonta a um veredicto original de 2015, quando um júri federal concedeu a indenização às vítimas, mas a sentença foi anulada em 2016 por um tribunal inferior. Na época, a justificativa para a anulação baseava-se no argumento de que os tribunais dos EUA não tinham competência para julgar ações contra grupos estrangeiros por ataques realizados fora do território americano e que não tinham como alvo os Estados Unidos diretamente.

No entanto, a Corte de Apelações reconsiderou sua posição após a Suprema Corte validar, em junho do ano passado, uma lei de 2019 aprovada pelo Congresso dos EUA. Essa legislação permite que vítimas de ataques terroristas internacionais processem organizações estrangeiras, como a AP e a OLP, sob a Lei Antiterrorismo de 1992.

Os juízes do tribunal de apelação afirmaram em sua decisão, datada de 30 de março, que o julgamento original deve ser restabelecido, alinhando-se à interpretação da Suprema Corte. Advogados das famílias das vítimas manifestaram alívio com a decisão, destacando que aguardavam por justiça há muitos anos.

Entre os principais demandantes está Mark Sokolow, que junto com sua esposa e duas filhas, foi ferido em um atentado suicida em Jerusalém em 2002, ataque que resultou na morte de um idoso de 81 anos. Além deles, outras famílias de vítimas de ataques terroristas em Israel, que causaram 33 mortes, incluindo americanos, e mais de 450 feridos, também compõem o grupo de autores da ação.

A ação judicial argumenta que o falecido líder da OLP, Yasser Arafat, teria financiado os atacantes e suas famílias, o que fundamentaria a responsabilidade da organização sob a Lei Antiterrorismo. Por sua vez, as autoridades palestinas têm consistentemente contestado a jurisdição dos tribunais americanos para julgar esses casos.

Este julgamento representa um marco no uso da legislação americana para responsabilizar entidades estrangeiras por atos terroristas que afetam cidadãos dos Estados Unidos, mesmo quando esses ataques ocorrem fora do território americano. A restauração da sentença sem a necessidade de um novo julgamento acelera o processo de reparação para as vítimas e suas famílias.

Do ponto de vista estratégico, essa decisão pode influenciar a dinâmica das relações entre os Estados Unidos e a Autoridade Palestina, possivelmente aumentando as pressões políticas e financeiras sobre a entidade palestina. Além disso, pode abrir precedentes para outras ações judiciais contra grupos estrangeiros vinculados a atos terroristas, ampliando o alcance da legislação antiterrorismo americana.

No cenário internacional, a sentença pode gerar tensões adicionais no conflito israelo-palestino, uma vez que a responsabilização judicial em tribunais estrangeiros pode ser vista como uma interferência externa. A longo prazo, a decisão pode incentivar negociações mais cautelosas e um maior escrutínio das atividades financeiras de grupos envolvidos em conflitos regionais. O desdobramento dessas ações judiciais dependerá das respostas políticas e diplomáticas dos envolvidos, bem como da aplicação prática das decisões judiciais nos Estados Unidos.