O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que os EUA podem destruir pontes ou usinas de energia iranianas caso as forças do Irã continuem atacando embarcações no Estreito de Hormuz. Ele indicou que os alvos potenciais estariam localizados próximos ou dentro da capital iraniana, Teerã. A ameaça foi divulgada em uma postagem na rede social Truth Social, onde Trump afirmou que qualquer ataque contra navios na região, seja por mísseis, foguetes, drones ou outras armas, resultaria em uma resposta militar dos EUA.
Essa declaração ocorre após uma série de ataques realizados pelos Estados Unidos contra o Irã por onze noites consecutivas. O Comando Central dos EUA (Centcom) informou que essas ações visam degradar a capacidade iraniana de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Hormuz, uma rota marítima estratégica para o transporte de petróleo. Em resposta, as defesas aéreas iranianas foram ativadas em Teerã, e explosões foram relatadas em várias cidades, incluindo Tabriz, Chabahar, Konarak e Bushehr, onde está localizada a única usina nuclear do país.
O Irã tem retaliado contra os Estados Unidos e seus aliados na região, alertando para possíveis represálias após Trump mencionar um ataque iminente a um sítio nuclear subterrâneo próximo a Natanz. Apesar de um acordo de cessar-fogo firmado em abril entre os dois países, os confrontos recomeçaram na semana passada, com disputas pelo controle do Estreito de Hormuz.
De acordo com o Centcom, as forças americanas têm atacado centros de operações militares iranianos, capacidades marítimas, hangares de aeronaves, instalações de armazenamento de drones e infraestrutura logística militar. O comando também acusou o Irã de atacar mais de 30 embarcações comerciais na região nos últimos três meses, colocando em risco a segurança dos marinheiros e a liberdade de navegação, embora tenha assegurado que o estreito permanece aberto para o trânsito comercial.
Além disso, as forças armadas do Kuwait informaram que suas defesas aéreas interceptaram ataques de drones provenientes do Irã, enquanto Bahrein e Jordânia também relataram a intercepção de mísseis e drones. A escalada do conflito provocou aumento no preço do petróleo, que chegou a US$94 por barril.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Washington ainda está aberto ao diálogo diplomático com Teerã, mas expressou dúvidas sobre o compromisso iraniano com as negociações. Trump também mencionou que o próximo alvo militar pode ser uma instalação subterrânea conhecida como Pickaxe Mountain, suspeita de abrigar um complexo de enriquecimento nuclear não declarado.
O comando militar iraniano Khatam Al-Anbiya advertiu que qualquer ataque a essa instalação será considerado uma expansão do conflito na região, prometendo retaliar contra interesses americanos e de seus aliados. Trump também ameaçou agir contra os rebeldes Houthi no Iêmen, caso eles avancem com o bloqueio dos portos sauditas, o que poderia afetar ainda mais o tráfego marítimo no Mar Vermelho.
O bloqueio anunciado pelos Houthi no Estreito de Bab al-Mandab, porta de entrada do Mar Vermelho, já causou mudanças na rota de navios-tanque que transportam petróleo da Arábia Saudita para a China e a Índia, desviando para o Canal de Suez. Essa situação aumenta os riscos de interrupções no comércio internacional e contribui para a volatilidade dos preços globais dos combustíveis.
Em junho, Irã e Estados Unidos assinaram um Memorando de Entendimento para cessar as operações militares e reabrir o Estreito de Hormuz, com o objetivo de encerrar o conflito em até 60 dias. No entanto, o cessar-fogo foi declarado encerrado por Trump três semanas depois, após ataques iranianos a navios e a subsequente retaliação americana.
O custo da guerra para os EUA já alcançou cerca de US$37,5 bilhões, um aumento de quase US$8 bilhões desde maio, conforme informou o secretário de Defesa Pete Hegseth. Ele alertou o Senado sobre a necessidade de financiamento urgente para manter o treinamento militar. Recentemente, Trump participou de uma cerimônia em Dover, Delaware, para receber os corpos de soldados americanos mortos no Oriente Médio, afirmando que o Irã pagaria um alto preço pelas fatalidades americanas.
O Pentágono confirmou a morte de um quarto soldado, o sargento Angel S Rampersad, que estava desaparecido após um ataque iraniano na Jordânia e foi dado como morto em um incidente que também envolveu outras vítimas no Iraque.
A escalada no Estreito de Hormuz e a possibilidade de ataques a infraestruturas críticas iranianas indicam um aumento significativo das tensões na região. A continuidade dos confrontos pode comprometer ainda mais a segurança da navegação em uma das rotas mais importantes para o comércio mundial de energia, afetando diretamente os mercados globais.
O cenário atual sugere que, a menos que haja avanços concretos nas negociações diplomáticas, a região poderá enfrentar uma intensificação dos combates, com impactos econômicos e geopolíticos que se estenderão para além do Oriente Médio. A resposta dos aliados regionais e das potências globais será crucial para determinar os próximos passos e a estabilidade do estreito estratégico.