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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Trump ameaça bombardear Omã se país interferir em negociações com Irã sobre Estreito de Ormuz

Donald Trump ameaçou bombardear Omã se o país interferir nas negociações dos EUA com o Irã sobre o Estreito de Ormuz, enquanto Teerã e Mascate avançam em acordo para reabrir a passagem estratégica.

Trump ameaça bombardear Omã se país interferir em negociações com Irã sobre Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma declaração controversa ao ameaçar bombardear Omã caso o país interfira nas negociações conduzidas pela administração americana com o Irã. A afirmação foi feita durante uma ligação telefônica na segunda-feira, em que Trump também afirmou que os EUA mantêm um canal direto de comunicação com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã. No entanto, o IRGC negou qualquer envolvimento em conversas com os EUA.

Omã, aliado dos Estados Unidos e considerado um país neutro no conflito entre EUA e Irã, tem desempenhado um papel diplomático importante na tentativa de reabrir o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica que tem sido bloqueada em grande parte desde ataques realizados pelo Irã após ofensivas dos EUA e Israel em fevereiro. Cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundialmente transitam por essa rota.

O memorando de entendimento (MoU) de 60 dias entre os EUA e o Irã, que visava facilitar negociações para um acordo definitivo, expirou na segunda-feira. Enquanto isso, autoridades iranianas anunciaram estar próximas de fechar um acordo com Omã para permitir o trânsito de embarcações pelo estreito, incluindo a definição de uma rota de passagem.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, confirmou que ambas as partes estão finalizando os detalhes para uma declaração conjunta. Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, mencionou que a reabertura completa dependeria de compensações financeiras dos EUA por supostas violações do memorando.

Durante a ligação, Trump afirmou que, apesar das negociações, não tem pressa para encerrar o conflito e descreveu os iranianos como "bons jogadores de pôquer", mas que estão em uma situação difícil. Ele também ressaltou que as eleições legislativas americanas de novembro não influenciam sua postura e minimizou preocupações sobre o estoque de armas dos EUA, afirmando que o uso até o momento foi insignificante.

A ameaça de Trump a Omã ocorreu após o anúncio do avanço nas negociações entre Teerã e Mascate. O porta-voz do IRGC repudiou as declarações do presidente americano, classificando-as como fantasias decorrentes da frustração e do desespero do líder estadunidense.

Desde o fim do cessar-fogo firmado em junho, que teve curta duração, os ataques entre os dois países se intensificaram, dificultando a estabilidade regional. O controle do Estreito de Ormuz permanece um ponto crítico, dada sua importância para o comércio global de energia.

A postura agressiva de Trump em relação a Omã pode complicar ainda mais as negociações diplomáticas e afetar a estabilidade na região do Golfo Pérsico. Omã tem sido um mediador importante e qualquer escalada contra o país pode prejudicar os esforços para uma solução pacífica.

Do ponto de vista estratégico, a ameaça direta a um aliado regional demonstra a tensão elevada e a volatilidade das relações na região. Caso Omã decida continuar seu papel diplomático, poderá enfrentar riscos de retaliação, o que pode desestabilizar ainda mais o trânsito no Estreito de Ormuz e impactar os mercados globais de energia.

Para os próximos passos, é provável que os EUA e Irã continuem buscando negociações indiretas, possivelmente com a mediação de países neutros como Omã, apesar das declarações de Trump. A manutenção da rota marítima aberta é crucial para a economia mundial, o que pressiona as partes a encontrar um acordo, mesmo diante das ameaças e desconfianças mútuas.