Em 25 de março de 2026, os Estados Unidos enviaram ao Irã uma proposta de paz composta por 15 pontos, exigindo o desmantelamento do programa nuclear iraniano, restrições ao seu programa de mísseis balísticos e o fim do apoio a grupos aliados na região. A iniciativa foi divulgada inicialmente por meios de comunicação americanos e israelenses, que indicaram que o documento foi encaminhado ao governo iraniano por meio do Paquistão. No entanto, não está claro se Israel apoia integralmente a proposta. O plano detalha medidas rigorosas para o programa nuclear do Irã, incluindo o fechamento definitivo das instalações de Natanz, Isfahan e Fordow, a proibição permanente do enriquecimento de urânio em território iraniano e a transferência do estoque enriquecido para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) dentro de um cronograma acordado.
Além disso, o documento exige que o Irã abandone sua rede de grupos armados regionais, imponha limites estritos ao seu programa de mísseis balísticos e mantenha o Estreito de Ormuz aberto como corredor marítimo livre para o tráfego internacional. Em contrapartida, os Estados Unidos se comprometeriam a suspender todas as sanções relacionadas ao programa nuclear e a apoiar o desenvolvimento do programa nuclear civil iraniano, incluindo a usina de Bushehr, que conta com participação russa.
O governo iraniano, contudo, negou ter mantido negociações com Washington e rejeitou o roteiro apresentado. O porta-voz das Forças Armadas do Irã, tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, ironizou a iniciativa dos EUA, afirmando que o país está "negociando consigo mesmo". Fontes iranianas indicaram que Teerã não aceitará que o presidente Donald Trump dite os termos do acordo e ressaltaram que uma resolução deve conter garantias concretas. O Irã também teria exigido que os Estados Unidos realizem concessões significativas para encerrar o conflito, como a retirada total das bases americanas no Golfo Pérsico, o fim de operações militares na região, o levantamento completo das sanções e o direito de coletar taxas sobre navios que transitam pelo Estreito de Ormuz. Além disso, o país quer que seu programa de mísseis balísticos seja excluído das negociações futuras e que os EUA compensem perdas sofridas durante o conflito.
O jornal Wall Street Journal e a agência Reuters relataram que o Irã também busca obter controle formal sobre o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. O ministro da Economia de Israel, Nir Barkat, comentou que a proposta dos EUA parece "bonita no papel", mas avaliou que é improvável que o Irã a aceite.
Este impasse reflete as complexas dinâmicas geopolíticas na região do Golfo Pérsico, onde interesses estratégicos e rivalidades históricas dificultam a resolução pacífica das tensões. A proposta americana tenta estabelecer um conjunto de condições rigorosas para limitar a capacidade militar e nuclear do Irã, ao mesmo tempo em que oferece incentivos econômicos e diplomáticos. No entanto, a rejeição iraniana e as exigências por garantias concretas indicam que as negociações podem enfrentar obstáculos significativos.
No cenário atual, a continuidade do conflito pode levar a uma escalada militar que afetaria a segurança energética global, dada a importância do Estreito de Ormuz para o transporte de petróleo. Caso os EUA e seus aliados consigam avançar em um acordo que contemple pelo menos parte das demandas iranianas, poderia haver uma redução das tensões e uma abertura para negociações futuras mais amplas. Por outro lado, a manutenção da postura inflexível de ambos os lados pode resultar em prolongamento do conflito, com impactos econômicos e políticos para a região e para a comunidade internacional.
Assim, os próximos passos provavelmente envolverão tentativas diplomáticas mediadas por terceiros, como o Paquistão, e a busca por compromissos que possam viabilizar um cessar-fogo ou um acordo de paz duradouro. A posição dos aliados regionais, como Israel e Arábia Saudita, também será crucial para o desenrolar desse processo, dada a influência que exercem sobre o equilíbrio de forças no Golfo Pérsico.