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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Trump apresenta ultimato de 15 pontos ao Irã, que rejeita proposta

Os EUA enviaram ao Irã uma proposta de paz com 15 pontos, incluindo o desmantelamento do programa nuclear e restrições a mísseis, mas o Irã rejeitou o ultimato e exige concessões significativas para encerrar o conflito na região do Golfo Pérsico.

Trump apresenta ultimato de 15 pontos ao Irã, que rejeita proposta

Em 25 de março de 2026, os Estados Unidos enviaram ao Irã uma proposta de paz composta por 15 pontos, exigindo o desmantelamento do programa nuclear iraniano, restrições ao seu programa de mísseis balísticos e o fim do apoio a grupos aliados na região. A iniciativa foi divulgada inicialmente por meios de comunicação americanos e israelenses, que indicaram que o documento foi encaminhado ao governo iraniano por meio do Paquistão. No entanto, não está claro se Israel apoia integralmente a proposta. O plano detalha medidas rigorosas para o programa nuclear do Irã, incluindo o fechamento definitivo das instalações de Natanz, Isfahan e Fordow, a proibição permanente do enriquecimento de urânio em território iraniano e a transferência do estoque enriquecido para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) dentro de um cronograma acordado.

Além disso, o documento exige que o Irã abandone sua rede de grupos armados regionais, imponha limites estritos ao seu programa de mísseis balísticos e mantenha o Estreito de Ormuz aberto como corredor marítimo livre para o tráfego internacional. Em contrapartida, os Estados Unidos se comprometeriam a suspender todas as sanções relacionadas ao programa nuclear e a apoiar o desenvolvimento do programa nuclear civil iraniano, incluindo a usina de Bushehr, que conta com participação russa.

O governo iraniano, contudo, negou ter mantido negociações com Washington e rejeitou o roteiro apresentado. O porta-voz das Forças Armadas do Irã, tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, ironizou a iniciativa dos EUA, afirmando que o país está "negociando consigo mesmo". Fontes iranianas indicaram que Teerã não aceitará que o presidente Donald Trump dite os termos do acordo e ressaltaram que uma resolução deve conter garantias concretas. O Irã também teria exigido que os Estados Unidos realizem concessões significativas para encerrar o conflito, como a retirada total das bases americanas no Golfo Pérsico, o fim de operações militares na região, o levantamento completo das sanções e o direito de coletar taxas sobre navios que transitam pelo Estreito de Ormuz. Além disso, o país quer que seu programa de mísseis balísticos seja excluído das negociações futuras e que os EUA compensem perdas sofridas durante o conflito.

O jornal Wall Street Journal e a agência Reuters relataram que o Irã também busca obter controle formal sobre o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. O ministro da Economia de Israel, Nir Barkat, comentou que a proposta dos EUA parece "bonita no papel", mas avaliou que é improvável que o Irã a aceite.

Este impasse reflete as complexas dinâmicas geopolíticas na região do Golfo Pérsico, onde interesses estratégicos e rivalidades históricas dificultam a resolução pacífica das tensões. A proposta americana tenta estabelecer um conjunto de condições rigorosas para limitar a capacidade militar e nuclear do Irã, ao mesmo tempo em que oferece incentivos econômicos e diplomáticos. No entanto, a rejeição iraniana e as exigências por garantias concretas indicam que as negociações podem enfrentar obstáculos significativos.

No cenário atual, a continuidade do conflito pode levar a uma escalada militar que afetaria a segurança energética global, dada a importância do Estreito de Ormuz para o transporte de petróleo. Caso os EUA e seus aliados consigam avançar em um acordo que contemple pelo menos parte das demandas iranianas, poderia haver uma redução das tensões e uma abertura para negociações futuras mais amplas. Por outro lado, a manutenção da postura inflexível de ambos os lados pode resultar em prolongamento do conflito, com impactos econômicos e políticos para a região e para a comunidade internacional.

Assim, os próximos passos provavelmente envolverão tentativas diplomáticas mediadas por terceiros, como o Paquistão, e a busca por compromissos que possam viabilizar um cessar-fogo ou um acordo de paz duradouro. A posição dos aliados regionais, como Israel e Arábia Saudita, também será crucial para o desenrolar desse processo, dada a influência que exercem sobre o equilíbrio de forças no Golfo Pérsico.