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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Trump considera controle do Estreito de Hormuz em meio à alta dos preços do petróleo

O presidente Donald Trump cogita assumir o controle do Estreito de Hormuz para garantir a passagem do petróleo, em meio a ataques no Oriente Médio que elevaram os preços do petróleo. O Irã ameaça fechar a rota estratégica, enquanto EUA e aliados preparam respostas militares e de escolta naval. O conflito pode afetar a estabilidade regional e os mercados globais de energia.

Trump considera controle do Estreito de Hormuz em meio à alta dos preços do petróleo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que está avaliando a possibilidade de assumir o controle do Estreito de Hormuz para garantir que a passagem permaneça aberta. Esta via marítima é estratégica, pois conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e representa a única rota para o oceano aberto para os principais produtores de petróleo da região.

O conflito envolvendo o Irã entrou em seu 11º dia, com ataques contínuos contra alvos iranianos, israelenses e americanos em países do Oriente Médio, incluindo Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Essa escalada tem provocado um aumento significativo nos preços do petróleo no mercado internacional.

O Irã ameaçou atacar embarcações que transitam pelo Estreito de Hormuz, colocando em risco cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo que passa por essa rota. Em 2 de março, Ebrahim Jabari, assessor sênior do comandante da Guarda Revolucionária do Irã, afirmou que o estreito estava fechado e que qualquer tentativa de passagem seria combatida, inclusive com ataques a oleodutos para impedir a saída de petróleo da região.

Como consequência, os preços do petróleo Brent chegaram a ultrapassar US$ 119 por barril, um aumento de mais de 30% em relação ao período anterior ao conflito, embora tenham recuado para cerca de US$ 93 por barril posteriormente. Além disso, a QatarEnergy, maior produtora mundial de GNL, suspendeu suas operações após ataques iranianos a instalações no Qatar. Na Arábia Saudita, a refinaria Ras Tanura foi temporariamente fechada devido a um incêndio provocado por detritos de drones iranianos interceptados.

Trump, em entrevista à CBS News, afirmou que, caso o Irã interrompa o fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz, os Estados Unidos responderão com uma força vinte vezes maior do que já foi aplicada até o momento. Ele reforçou que não permitirá que o regime iraniano utilize o petróleo como instrumento de pressão global e que está considerando uma ação militar para garantir a segurança da passagem.

No entanto, especialistas em direito marítimo destacam que o Estreito de Hormuz está sob a jurisdição soberana do Irã e de Omã, e que uma ocupação unilateral pelos EUA configuraria uma violação do direito internacional, a menos que haja consentimento desses países. Uma alternativa possível seria a escolta de navios comerciais por forças navais americanas ou internacionais para garantir a passagem segura, estratégia que Trump também mencionou como uma possibilidade iminente.

A França e seus aliados europeus também estão preparando uma missão defensiva para escoltar embarcações no estreito após a fase mais intensa do conflito entre EUA, Israel e Irã, conforme declarou o presidente Emmanuel Macron.

Por sua vez, o Irã mantém uma postura firme, descartando negociações e afirmando que continuará o combate enquanto for necessário. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, e o conselheiro do líder supremo Kamal Kharazi rejeitaram a diplomacia, acusando os EUA de traição em negociações anteriores e ressaltando a necessidade de pressão econômica sobre Washington e Tel Aviv para encerrar o conflito.

Analistas de segurança internacional observam que o Irã adotou uma estratégia de escalada rápida e abrangente, visando desestabilizar a região, afetar os mercados globais e pressionar os Estados Unidos a buscar um cessar-fogo. Ataques têm mirado tanto infraestruturas militares quanto civis, ampliando o impacto econômico e político.

O futuro do conflito pode depender da situação política interna dos EUA, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando em novembro. Caso o custo econômico e político aumente, é possível que os Estados do Golfo pressionem por uma redução da escalada militar. A volatilidade nos mercados energéticos e a segurança do transporte marítimo permanecem como desafios centrais para a estabilidade regional e global.

Em termos estratégicos, a possibilidade de intervenção direta dos EUA no Estreito de Hormuz representa um ponto crítico que pode ampliar o confronto para além do atual teatro de operações. A escolta naval internacional pode ser uma medida de contenção, mas também aumenta o risco de incidentes que poderiam desencadear uma escalada maior. A continuidade do conflito e a instabilidade na região do Golfo podem gerar impactos prolongados nos preços do petróleo, afetando a economia global e a segurança energética de diversos países. A diplomacia, embora atualmente em segundo plano, poderá ser reavaliada conforme os custos do conflito se tornem insustentáveis para as partes envolvidas.