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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Trump convoca aliados a tomar o Estreito de Ormuz pela força caso Irã não libere passagem

Donald Trump pediu que países aliados intervenham e tomem o Estreito de Ormuz pela força caso o Irã não libere a passagem marítima, em meio a um conflito que eleva os preços do petróleo globalmente. A região enfrenta alta tensão e incertezas sobre o futuro da guerra e do fornecimento energético.

Trump convoca aliados a tomar o Estreito de Ormuz pela força caso Irã não libere passagem

Em seu primeiro pronunciamento à nação após ordenar ataques aéreos contra o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um apelo direto aos países consumidores de petróleo do Oriente Médio para que intervenham e desobstruam o Estreito de Ormuz, caso o Irã não reabra a rota marítima vital para todas as embarcações. O Estreito de Ormuz é uma passagem estratégica por onde transita cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo.

Trump criticou duramente os membros da Otan por não enviarem navios de guerra para a região e por não se juntarem aos Estados Unidos e Israel nos esforços militares contra o Irã. Ele afirmou que os países que enfrentam dificuldades para obter combustível deveriam "desenvolver coragem" e simplesmente tomar o controle do estreito para protegê-lo.

O presidente americano ressaltou que garantir a segurança do Estreito de Ormuz seria uma tarefa simples, destacando que as forças dos EUA já haviam "dizimado" o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) e reduzido significativamente suas capacidades de drones e mísseis. Essa declaração ocorre em meio a uma escalada do conflito que tem provocado um choque global no mercado de energia, elevando os preços do petróleo e aumentando os custos de combustíveis para consumidores em todo o mundo.

Desde o início da campanha militar, denominada Operação Fúria Épica, os fluxos de petróleo pelo estreito foram severamente afetados, com os preços do barril ultrapassando a marca dos 100 dólares. Em março, o preço do Brent subiu mais de 60%, chegando a cerca de 118 dólares, enquanto o West Texas Intermediate dos EUA ultrapassou os 100 dólares, registrando os maiores ganhos mensais em décadas.

Questionado sobre como pretende reduzir os preços do petróleo, Trump vinculou qualquer alívio a uma rápida retirada americana do conflito, afirmando que a saída dos EUA do Irã ocorrerá em breve e que isso fará os preços despencarem. Apesar disso, o presidente também declarou que o fim da campanha militar não dependerá de negociações diplomáticas, sinalizando uma mudança em relação às demandas anteriores de cessar-fogo.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que supostas negociações estão em andamento e "ganhando força", mas alertou que os Estados Unidos permanecem preparados para continuar a guerra caso Teerã não cumpra as exigências. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragchi, declarou que as mensagens do enviado americano Steve Witkoff foram transmitidas por intermediários e não configuram negociações diretas.

A ofensiva inicial dos EUA, que eliminou lideranças iranianas de alto escalão, tinha como objetivo provocar um colapso rápido do regime, mas a resiliência institucional do Irã e sua doutrina de sucessão predefinida permitiram que o país resistisse e respondesse ao ataque. O conflito prolongado tem causado danos significativos aos ativos americanos no Golfo e desestabilizado a região, desafiando a tradicional supremacia dos EUA no local.

Esta situação cria um cenário de alta tensão geopolítica, com implicações diretas para a segurança energética global. A insistência dos EUA em uma solução militar, aliada à relutância de aliados em se envolver diretamente, pode prolongar o conflito e aumentar a volatilidade dos mercados. Caso os países aliados sigam o apelo de Trump e intervenham no Estreito de Ormuz, o risco de escalada militar na região aumentaria consideravelmente, o que poderia desencadear uma crise ainda maior no fornecimento de petróleo.

Por outro lado, a possível retirada americana, mencionada por Trump como condição para a queda dos preços do petróleo, ainda carece de detalhes concretos e não possui um cronograma claro, o que mantém a incerteza sobre o desfecho do conflito. A continuidade das hostilidades pode levar a uma realocação estratégica das rotas de energia e a uma reconfiguração das alianças regionais, impactando diretamente a estabilidade do Oriente Médio e a economia global nos próximos meses.