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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Trump exige que países muçulmanos do acordo com Irã aderam aos Acordos de Abraão

Donald Trump condiciona acordo com Irã à adesão de países muçulmanos aos Acordos de Abraão com Israel, buscando ampliar a normalização regional.

Trump exige que países muçulmanos do acordo com Irã aderam aos Acordos de Abraão

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que é obrigatório que seis países de maioria muçulmana que participam das negociações com o Irã assinem os Acordos de Abraão com Israel antes que qualquer acordo entre Washington e Teerã seja concluído. Trump destacou que as negociações com a República Islâmica do Irã estão avançando de forma satisfatória, mas condicionou o fechamento do pacto à adesão simultânea desses países ao acordo de normalização com Israel.

Entre os países mencionados por Trump estão Arábia Saudita, Catar, Paquistão, Turquia, Egito e Jordânia. Ele também citou conversas com os Emirados Árabes Unidos e Bahrein, que já fazem parte dos Acordos de Abraão, firmados inicialmente em 2020. O ex-presidente ressaltou que a assinatura por parte desses países deve ser imediata e que a não adesão pode indicar má intenção, o que impediria sua participação em qualquer acordo com o Irã.

O Acordo de Abraão, mediado durante o primeiro mandato de Trump, estabeleceu a normalização das relações entre Israel e alguns países árabes, como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão. Trump sugeriu que a expansão desse acordo poderia incluir até mesmo o Irã, após a assinatura do pacto, o que representa uma mudança significativa, dado o histórico de hostilidade entre Teerã e Jerusalém.

A Arábia Saudita, frequentemente apontada como o principal candidato para aderir aos Acordos, condiciona sua participação à criação de um Estado palestino, uma demanda rejeitada pelo governo israelense liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Paquistão e Catar também mantêm posições semelhantes, não reconhecendo Israel enquanto a questão palestina não for resolvida.

Trump afirmou que o sucesso dos Acordos de Abraão trouxe benefícios financeiros, econômicos e sociais aos países envolvidos, mesmo em meio a conflitos regionais. Ele indicou que a formação de uma coalizão ampla, incluindo o Irã, poderia transformar o Oriente Médio em uma região unida, poderosa e economicamente forte.

No entanto, a proposta encontrou reação silenciosa por parte dos líderes muçulmanos e árabes consultados, segundo relatos de autoridades americanas. A falta de resposta imediata indica a complexidade e os desafios diplomáticos envolvidos na ampliação dos Acordos de Abraão para incluir países com relações delicadas com Israel.

Além disso, autoridades israelenses expressaram preocupações sobre o possível acordo com o Irã, temendo que ele não aborde questões cruciais como o programa nuclear e o apoio iraniano a grupos armados na região. A perspectiva de um cessar-fogo prolongado sem avanços nas negociações militares preocupa os setores de segurança de Israel.

A insistência de Trump em vincular a normalização das relações entre Israel e os países muçulmanos ao acordo com o Irã pode ser interpretada como uma tentativa de fortalecer a posição israelense nas negociações e ampliar a influência dos EUA no Oriente Médio. Contudo, a resistência de países-chave e as divergências históricas indicam que a implementação dessa estratégia enfrentará obstáculos significativos.

No cenário geopolítico, a ampliação dos Acordos de Abraão para incluir países como Arábia Saudita e Catar poderia alterar significativamente o equilíbrio regional, promovendo maior cooperação econômica e segurança conjunta. Por outro lado, a inclusão do Irã, tradicional adversário de Israel, exigiria concessões e garantias complexas, que ainda não foram detalhadas.

Os próximos passos provavelmente envolverão negociações multilaterais intensas para alinhar interesses divergentes e superar as barreiras políticas e ideológicas. A posição dos Estados Unidos continuará sendo crucial para mediar esses processos e tentar consolidar um novo arranjo de segurança e cooperação no Oriente Médio.