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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Ucrânia anuncia retomada do funcionamento do oleoduto Druzhba que transporta petróleo russo para a Europa

A Ucrânia anunciou que o oleoduto Druzhba, que transporta petróleo russo para a Europa, está pronto para retomar as operações após reparos. A reabertura pode desbloquear um empréstimo de 90 milhões de euros da União Europeia, suspenso devido ao veto da Hungria. A decisão pode impactar a segurança energética europeia e a economia ucraniana em meio ao conflito com a Rússia.

Ucrânia anuncia retomada do funcionamento do oleoduto Druzhba que transporta petróleo russo para a Europa

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy declarou que o oleoduto Druzhba, responsável pelo transporte de petróleo russo para a Europa e que atravessa o território ucraniano, está pronto para retomar suas operações após reparos realizados. O oleoduto, que sofreu danos em janeiro devido a ataques durante a invasão em larga escala da Rússia à Ucrânia, é uma infraestrutura crucial para o fornecimento energético de países europeus como Hungria e Eslováquia, que ainda dependem do petróleo russo.

Zelenskyy afirmou que a conclusão dos trabalhos de reparo no oleoduto soviético pode desbloquear um empréstimo da União Europeia no valor de 90 milhões de euros, que estava suspenso devido ao veto da Hungria. O país, fortemente dependente do petróleo russo, vinha condicionando a liberação do apoio financeiro à retomada do fluxo pelo oleoduto. O presidente ucraniano ressaltou que a Ucrânia cumpriu as exigências da UE para a reabertura da infraestrutura, incluindo as demandas húngaras e eslovacas.

A expectativa é que a Hungria retire seu veto ao empréstimo, especialmente após a recente derrota eleitoral do primeiro-ministro Viktor Orbán, conhecido por sua proximidade com o Kremlin. A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, manifestou otimismo quanto a uma decisão favorável para a liberação dos fundos nas próximas 24 horas, com embaixadores da UE programados para aprovar o desbloqueio em reunião marcada para quarta-feira.

Desde a invasão russa em fevereiro de 2022, a União Europeia proibiu a importação marítima de petróleo russo, mas manteve legal o transporte terrestre, como o realizado pelo oleoduto Druzhba. Moscou afirmou estar tecnicamente pronta para retomar o fornecimento de petróleo para Hungria e Eslováquia assim que a Ucrânia cessar o que chamou de "chantagem".

Paralelamente, autoridades ucranianas informaram que drones do país atacaram uma instalação de bombeamento e despacho de petróleo na região russa de Samara, parte da cadeia de suprimento do oleoduto Druzhba, localizada na vila de Prosvet. Este ataque ocorre em meio às tensões contínuas e esforços para controlar pontos estratégicos da infraestrutura energética.

A Ucrânia necessita dos fundos da União Europeia para cobrir déficits orçamentários iminentes, embora tenha conseguido garantir recursos de outros parceiros enquanto o empréstimo permanece bloqueado. A retomada do oleoduto pode representar um avanço significativo tanto para a estabilidade econômica ucraniana quanto para o equilíbrio energético da Europa Central, que enfrenta desafios decorrentes da guerra.

A reabertura do oleoduto Druzhba pode sinalizar uma mudança nas dinâmicas regionais, influenciando a postura política de países dependentes do petróleo russo e abrindo caminho para maior cooperação financeira e política entre a Ucrânia e a União Europeia. No entanto, a situação permanece delicada, com riscos associados a possíveis novos ataques e à instabilidade causada pelo conflito em curso.

Em termos estratégicos, a retomada do oleoduto pode aliviar pressões sobre o mercado europeu de energia, reduzindo a necessidade de fontes alternativas mais caras ou menos estáveis. Para a Ucrânia, a liberação do empréstimo da UE representa um reforço crucial para sua economia em meio à guerra, permitindo maior capacidade de resistência e reconstrução. A evolução desse cenário dependerá da continuidade da manutenção da infraestrutura, da estabilidade política na Hungria e da dinâmica do conflito russo-ucraniano nos próximos meses.