A Ucrânia anunciou ataques contra cinco embarcações que transportavam cargas ilegais no Mar de Azov e em águas costeiras sob controle russo. Segundo o comandante das forças de drones navais ucranianas, os navios estavam envolvidos no roubo de grãos ucranianos, além de transportar cargas militares e combustíveis. Essas ações ocorrem em meio à preparação do presidente russo Vladimir Putin para um discurso importante em São Petersburgo, um dia após o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky propor negociações diretas para encerrar o conflito.
Paralelamente, a Ucrânia confirmou que um de seus drones navais explodiu na costa da Romênia na última sexta-feira, sem causar feridos. Não está claro se os ataques ucranianos contra os navios têm relação com a morte de cinco cidadãos do Azerbaijão, que foram vítimas de ataques com drones em embarcações no mar. O Ministério das Relações Exteriores do Azerbaijão informou que dois navios de carga, Natra e Zirkon, foram atacados por drones na Baía de Taganrog, no Mar de Azov. As embarcações não pertencem ao Azerbaijão, e o país não identificou os responsáveis pelos ataques.
A Rússia atribuiu a responsabilidade dos ataques à Ucrânia, enquanto Kiev não se manifestou imediatamente sobre essa acusação. Robert Brovdi, comandante dos drones ucranianos, detalhou que os cinco navios atingidos estavam operando ilegalmente nos portos de Mariupol, Berdyansk e em águas dos territórios temporariamente ocupados pela Rússia. Ele ressaltou que os navios tinham seus nomes cobertos e radares desligados para facilitar o roubo silencioso de grãos e o transporte de cargas militares e combustíveis. Não houve menção a vítimas fatais nesses ataques.
No território ucraniano, autoridades locais reportaram pelo menos 13 mortes e mais de 70 feridos nas últimas 24 horas devido a ataques russos. Entre as vítimas, quatro pessoas faleceram após um ataque com drones russos a uma fábrica de laticínios próxima a Kiev. Além disso, regiões como Kherson, Kharkiv, Sumy, Zaporizhzhia, Chernihiv e Dnipro também registraram mortes e ferimentos devido aos ataques.
O presidente Zelensky revelou que entre os alvos dos ataques russos estavam depósitos de alimentos, um prédio dos correios e uma escola. Na quinta-feira, ele renovou a proposta de um encontro direto com Putin para negociar o fim da guerra, enfatizando que esperar passivamente não traria paz e que o diálogo direto entre os países é essencial. Zelensky também solicitou um cessar-fogo completo durante as negociações, pedido que foi rejeitado por Putin.
O Kremlin confirmou o recebimento da carta de Zelensky. O porta-voz Dmitry Peskov informou que Putin provavelmente comentaria sobre o assunto. A União Europeia, França e Estados Unidos manifestaram apoio à iniciativa de Zelensky. O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, também expressou apoio à reunião, defendendo que ambos os líderes deveriam fazer concessões para alcançar um acordo.
Durante um encontro com jornalistas estrangeiros em São Petersburgo, Putin afirmou estar disposto a negociar com a Ucrânia, mas ressaltou a necessidade de concessões mútuas. Ele questionou a legitimidade de Zelensky como representante da Ucrânia, citando a ausência de eleições presidenciais desde maio de 2024, embora o país esteja sob estado de lei marcial devido à invasão russa. Putin mantém a posição de que a Ucrânia deve renunciar ao controle das regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, além de desistir da intenção de ingressar na Otan.
A Ucrânia rejeita a possibilidade de ceder territórios, argumentando que isso incentivaria novas invasões, como ocorreu em 2022, quando a Rússia lançou uma ofensiva em grande escala após a anexação ilegal da Crimeia em 2014. As negociações para cessar-fogo estão estagnadas há meses, e tentativas anteriores de diálogo em Genebra, Abu Dhabi e Istambul não tiveram sucesso.
Na sexta-feira, um drone marítimo explodiu no porto romeno de Constanta, no Mar Negro. O Ministério da Defesa da Romênia informou que o drone se autodestruiu próximo a um terminal de petróleo, sem causar vítimas, embora tenha provocado danos consideráveis a um navio e a depósitos. O principal responsável em Constanta indicou que o drone fazia parte de um grupo de cinco, com outro drone explodindo em território ucraniano. A Ucrânia confirmou que o drone envolvido foi desviado por interferência eletrônica russa. Moscou não respondeu imediatamente a essa alegação.
Os demais três drones não foram localizados, mas as autoridades afirmaram que não há riscos adicionais. Ainda não há explicação oficial para a presença dos drones em águas romenas. O presidente de Constanta destacou que este foi o segundo incidente de segurança significativo na semana, após a descoberta de uma mina em uma praia próxima. Recentemente, um drone atingiu um prédio residencial na cidade de Galati, perto da fronteira com a Ucrânia, ferindo duas pessoas. Autoridades romenas confirmaram que o drone era russo, embora Moscou negue envolvimento.
Esses eventos evidenciam a complexidade e a escalada do conflito entre Ucrânia e Rússia, que tem repercussões diretas em países vizinhos como a Romênia. A proposta de diálogo direto entre Zelensky e Putin, apesar de receber apoio internacional, enfrenta obstáculos significativos devido às posições divergentes e à desconfiança mútua. O incidente com os drones na costa romena também levanta preocupações sobre a segurança regional e a possibilidade de incidentes não intencionais ou escaladas acidentais.
No cenário estratégico, a continuidade dos ataques a embarcações que transportam cargas ilegais e militares pode intensificar a tensão naval no Mar de Azov e no Mar Negro, afetando rotas comerciais e a segurança marítima. A persistência da guerra e a ausência de negociações efetivas indicam que o conflito poderá se prolongar, mantendo a instabilidade na região e impactando a economia local e global, especialmente nos setores de energia e alimentos. A comunidade internacional deverá acompanhar atentamente os desdobramentos, buscando meios para incentivar o diálogo e evitar uma escalada maior do conflito.