Na madrugada do dia 4 de julho de 2026, um importante terminal de petróleo localizado em São Petersburgo, segunda maior cidade da Rússia, foi alvo de um ataque realizado pela Ucrânia. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky destacou a relevância dessa infraestrutura, classificando-a como uma das maiores do país e fundamental para a geração de receitas que financiam o esforço de guerra russo. Além do terminal, uma base naval estratégica da Frota do Báltico, situada na região, também foi atingida.
O governador de São Petersburgo, Aleksandr Beglov, confirmou que a cidade sofreu um ataque massivo por drones, reconhecendo o impacto no terminal de petróleo, mas informou que não houve vítimas. A ofensiva faz parte de uma campanha recente da Ucrânia para atingir instalações críticas de energia na Rússia, utilizando drones de longo alcance. Essa estratégia tem provocado escassez generalizada de combustíveis dentro do território russo. Autoridades ucranianas afirmam que cerca de 43% da capacidade de refino de petróleo da Rússia foi desativada, embora essa informação ainda não tenha sido verificada de forma independente.
O governo ucraniano justifica os ataques afirmando que as instalações de petróleo e gás russas são alvos legítimos, considerando a dependência da Rússia em exportações de combustíveis fósseis para sustentar sua campanha militar. Em resposta, o presidente Vladimir Putin sancionou recentemente uma legislação destinada a aumentar o fornecimento no mercado interno de combustíveis, reconhecendo publicamente, pela primeira vez em muito tempo, as dificuldades causadas pelos ataques ucranianos.
O ataque em São Petersburgo ocorreu a aproximadamente 850 quilômetros da fronteira ucraniana. Um vídeo divulgado pelo presidente Zelensky mostra um drone se aproximando do alvo, seguido por uma grande coluna de fumaça preta emanando da área atingida. A verificação independente confirmou que o terminal de petróleo da cidade foi realmente atingido. Segundo as forças armadas ucranianas, o terminal tem capacidade para produzir 12,5 milhões de toneladas de derivados de petróleo por ano.
Além disso, a base naval russa em Kronstadt, ponto crucial para a Frota do Báltico, também foi alvo dos ataques. Até o momento, o governo russo não fez declarações públicas sobre os danos causados.
O governador Beglov informou que 72 drones ucranianos foram abatidos sobre São Petersburgo e a região de Leningrado. Ele orientou a população a permanecer em casa enquanto a ameaça persistir e alertou para possíveis interrupções nos serviços de internet móvel. São Petersburgo abriga mais de cinco milhões de habitantes, o que torna o impacto potencialmente significativo para a vida civil.
Em outro desdobramento, o exército ucraniano negou que a cidade de Kostyantynivka, no leste da Ucrânia, esteja sob controle total das forças russas, contrariando declarações recentes do presidente Putin. Um porta-voz militar ucraniano afirmou que a cidade permanece sob domínio das forças de defesa da Ucrânia, apesar de infiltrações pontuais de pequenos grupos russos que estão sendo neutralizados. Kostyantynivka é uma das cidades fortificadas na região de Donetsk, área majoritariamente ocupada pela Rússia.
O Ministério da Defesa russo informou que mais de 500 drones e mísseis ucranianos foram interceptados durante os ataques noturnos e matutinos, classificando as ofensivas como tentativas de desviar a atenção dos russos e seus aliados das consequências de um ataque russo recente em Kiev e de uma suposta falha das forças ucranianas em Kostyantynivka. O ministério também advertiu que os ataques a instalações civis russas não ficarão sem resposta.
Esse cenário de ataques e contra-ataques ocorre em um momento em que ambos os lados buscam fortalecer suas posições antes da cúpula da OTAN, marcada para a próxima semana na Turquia. Em meio a esse contexto, o presidente Putin enviou uma mensagem de felicitações ao então presidente dos EUA, Donald Trump, destacando a importância de relações construtivas entre os países.
A intensificação dos ataques ucranianos contra a infraestrutura russa representa uma mudança significativa na dinâmica do conflito, ampliando o alcance das operações militares para além das fronteiras tradicionais do campo de batalha. Essa estratégia visa pressionar economicamente a Rússia, dificultando a manutenção de sua capacidade bélica.
A resposta russa, por sua vez, indica uma tentativa de manter a estabilidade interna e a continuidade do suprimento energético, essenciais para o esforço de guerra. A escalada dos ataques com drones também evidencia a crescente importância da tecnologia não tripulada no conflito, que pode influenciar futuras operações militares e estratégias de defesa.
Nos próximos meses, a continuidade dessas ações pode afetar não apenas o andamento do conflito, mas também o mercado global de energia, dada a relevância da Rússia como grande exportadora de petróleo e gás. A capacidade de ambos os lados em manter ou ampliar suas ofensivas poderá determinar o equilíbrio de poder na região e influenciar negociações diplomáticas futuras.