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domingo, 04 de janeiro de 2026
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UEFA envia notificação legal à FIFA após plano controverso de Infantino para Copa do Mundo

UEFA enviou notificação legal à FIFA após rejeição do plano de Infantino para vender participação nos lucros da Copa do Mundo, indicando possível ação judicial.

UEFA envia notificação legal à FIFA após plano controverso de Infantino para Copa do Mundo

A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) confirmou o envio de uma carta formal de preservação de documentos à Federação Internacional de Futebol (FIFA) em resposta ao plano do presidente Gianni Infantino para vender uma participação nos lucros futuros da Copa do Mundo a investidores privados. A medida legal foi tomada após o fracasso da proposta, que gerou forte reação internacional e levou à suspensão temporária do projeto.

A carta de preservação, uma notificação jurídica que exige a retenção de documentos, dados e mensagens eletrônicas relevantes, foi enviada para garantir que possíveis evidências sejam mantidas intactas diante de potenciais ações judiciais. O documento, datado de uma sexta-feira recente, foi emitido pela firma de advocacia Dechert, com sede em Nova York, e direcionado a executivos da FIFA, incluindo o próprio Infantino, o diretor financeiro Thomas Peyer e o chefe de desenvolvimento global do futebol, Arsène Wenger.

O plano controverso, conhecido como FIFA Forward Enterprise (FFE), previa arrecadar cerca de 4,2 bilhões de dólares por meio da venda de participação a investidores privados, incluindo uma empresa de investimentos de Nova York ligada a Joshua Kushner. A proposta oferecia pagamentos únicos de 20 milhões de dólares para cada uma das 211 federações membros da FIFA, com prazo para aceitação até meados de setembro. O FFE teria controle sobre as operações comerciais e torneios da FIFA até pelo menos 2038, prometendo dobrar os recursos destinados ao desenvolvimento do futebol mundial.

A revelação do plano provocou uma reação imediata e contundente da UEFA, que liderou a oposição e convocou suas 55 federações membros a boicotarem todos os eventos e competições da FIFA enquanto a proposta estivesse em vigor. A entidade europeia também manifestou a intenção de buscar alternativas para a presidência da FIFA, com a Federação Sueca de Futebol confirmando que a UEFA está trabalhando para apresentar um candidato rival para a eleição prevista para março.

A carta legal enviada pela UEFA alerta a FIFA sobre a possibilidade de destruição, alteração ou ocultação de provas, o que poderia configurar obstrução da justiça. O documento indica que a UEFA está considerando seriamente ações legais, arbitragem e queixas regulatórias relacionadas ao plano FFE e seus desdobramentos.

Internamente, o projeto foi criticado por membros da FIFA, incluindo o diretor de operações Kevin Lamour, que afirmou que a iniciativa foi conduzida por Infantino de forma isolada, causando desconforto entre a equipe. A oposição ao plano também foi manifestada por outras confederações, como a Asiática e a da América do Norte, Central e Caribe (CONCACAF).

Apesar do apoio de algumas regiões, como a África e a América do Sul, onde a CONMEBOL vê na expansão da Copa do Mundo de 48 para 64 times uma oportunidade para ampliar a participação de países como Argentina, Uruguai e Paraguai, o futuro político de Infantino na presidência da FIFA tornou-se incerto. A tentativa de estabilizar seu mandato, que já dura mais de dez anos, enfrenta desafios crescentes, inclusive com a retirada de cartas de apoio de federações europeias.

Nos últimos dias, houve especulações sobre uma possível busca de apoio político junto ao governo dos Estados Unidos, mas autoridades americanas negaram contatos recentes entre Infantino e membros da administração. A eleição para presidente da FIFA está marcada para novembro, com o prazo para apresentação de candidaturas até meados do mesmo mês.

O episódio evidencia uma crise interna na FIFA, com implicações para a governança do futebol mundial e a gestão dos eventos mais importantes do esporte. A controvérsia em torno do FFE expõe tensões entre interesses comerciais e a estrutura tradicional das federações, além de colocar em xeque a liderança de Infantino.

Do ponto de vista estratégico, a ação da UEFA sinaliza um endurecimento na fiscalização e controle das decisões da FIFA, reforçando a importância da transparência e da governança adequada em entidades esportivas globais. A possibilidade de disputas judiciais e arbitragem pode prolongar o impasse e impactar a organização dos próximos torneios, especialmente a Copa do Mundo de 2030, que já enfrenta mudanças significativas.

Além disso, a busca por um candidato alternativo à presidência da FIFA pode alterar o equilíbrio de poder dentro do futebol internacional, com potenciais mudanças nas políticas de desenvolvimento e comercialização do esporte. O desfecho dessa crise será determinante para a credibilidade da FIFA e para a estabilidade das competições globais nos próximos anos.