Yoweri Museveni, presidente de Uganda, foi empossado para seu sétimo mandato consecutivo, estabelecendo um recorde na história política do país. Aos 81 anos, Museveni permanece no poder desde 1986, tendo vencido a eleição de janeiro com mais de 70% dos votos, conforme anunciado pelas autoridades eleitorais. A cerimônia de posse ocorreu no Kololo Independence Grounds, em Kampala, capital ugandense, que contou com forte presença de segurança, incluindo tanques blindados, para garantir a ordem pública durante o evento.
Durante seu discurso inaugural, Museveni destacou que este novo mandato deve ser encarado como um período de intensa atividade para os cidadãos, enfatizando a necessidade de focar na geração de riqueza e empregos. Ele ressaltou os avanços obtidos nos últimos 40 anos, especialmente em termos de paz e desenvolvimento de infraestrutura, e indicou que pretende continuar essa trajetória até o fim do mandato, previsto para 2031.
A eleição que garantiu a vitória de Museveni foi marcada por controvérsias. O principal adversário, Robert Kyagulanyi Ssentamu, conhecido como Bobi Wine, rejeitou os resultados, acusando irregularidades como a manipulação de votos. As autoridades eleitorais negaram essas alegações. Após o pleito, Bobi Wine deixou o país, alegando temer por sua segurança diante de ameaças do governo.
Museveni, que assumiu o poder como líder rebelde, é um dos governantes mais longevos da África, ao lado de líderes como Denis Sassou Nguesso, da República do Congo, Teodoro Obiang, da Guiné Equatorial, e Paul Biya, de Camarões. A posse contou com a presença de chefes de Estado africanos, incluindo os presidentes da Tanzânia, República Democrática do Congo, Sudão do Sul e Somália.
O país possui uma população jovem, grande parte da qual nunca viveu sob outro presidente além de Museveni. Embora o presidente não tenha definido uma data para sua aposentadoria, analistas sugerem que este pode ser seu último mandato. Seu filho, o general Muhoozi Kainerugaba, comandante militar de 51 anos, é visto como possível sucessor, apesar das críticas relativas ao seu comportamento nas redes sociais, onde fez ameaças contra opositores.
O governo de Museveni tem enfrentado críticas de organizações de direitos humanos devido à repressão violenta contra a oposição após as eleições. Relatos indicam que pelo menos 16 pessoas foram mortas em confrontos com forças militares e policiais, com vítimas supostamente desarmadas e sem ameaça iminente. Além disso, o político da oposição Kizza Besigye permanece detido desde 2024, acusado de posse ilegal de armas, acusações que ele nega.
Recentemente, o governo aprovou a Lei da Soberania, que criminaliza ações consideradas contrárias aos interesses nacionais e rotula financiamentos estrangeiros como interferência externa. Essa medida tem sido vista como um esforço para restringir a atuação de grupos e indivíduos ligados à oposição.
A posse de Museveni e a manutenção de seu governo refletem a continuidade de um regime que, apesar das controvérsias e desafios internos, mantém controle firme sobre o país. O cenário político em Uganda indica que a estabilidade do governo dependerá da capacidade de lidar com as demandas por maior transparência e respeito aos direitos políticos, especialmente diante de uma juventude crescente e crítica.
A possibilidade de sucessão dentro da família de Museveni também levanta questões sobre o futuro político de Uganda. Caso Muhoozi Kainerugaba assuma o poder, o país poderá enfrentar mudanças na dinâmica civil-militar e na relação com a oposição. A continuidade do governo Museveni, por sua vez, sugere que o atual modelo político permanecerá predominante pelo menos até 2031, com impactos significativos nas políticas internas e na posição de Uganda na arena regional africana.