O grupo de dança ugandês Ghetto Kids, formado por crianças órfãs ou em situação vulnerável, terá uma participação especial no show do intervalo da final da Copa do Mundo da FIFA, que será realizada no MetLife Stadium, em Nova Jersey, no dia 19 de julho. A notícia foi anunciada pela cantora colombiana Shakira, que convidou o grupo para se juntar a ela durante a apresentação. Os Ghetto Kids já haviam participado do videoclipe da música "Dai Dai", que é o hino oficial do torneio que começa no próximo mês.
Originários de Kampala, capital de Uganda, os Ghetto Kids são compostos por cerca de 60 crianças com idades entre 4 e 16 anos. Essas crianças cresceram em condições de extrema pobreza, em um país marcado por décadas de conflitos armados e altos índices de vulnerabilidade social. Estima-se que quase 1,7 milhão de crianças em Uganda estejam órfãs devido a esses fatores.
Antes mesmo do convite para o evento da Copa do Mundo, o grupo já era fã de Shakira e costumava dançar ao som de suas músicas. Eles já haviam se apresentado ao ritmo de "Waka Waka (This Time for Africa)", canção oficial da Copa do Mundo de 2010, que celebrou a primeira edição do torneio realizada em solo africano. Para os integrantes do grupo, a oportunidade de se apresentar ao lado de uma estrela mundial como Shakira, diante de uma audiência global, representa a realização de um sonho.
A apresentação no intervalo da final da Copa do Mundo segue o modelo de shows de intervalo do Super Bowl, trazendo grandes nomes da música como Shakira, Madonna e BTS. O torneio terá início em 11 de junho, com jogos distribuídos entre Estados Unidos, México e Canadá. A final da última Copa do Mundo atraiu mais de um bilhão de espectadores em todo o mundo, segundo dados da FIFA.
O grupo Ghetto Kids foi criado em uma fundação que apoia crianças vulneráveis, fundada pelo atual gerente do grupo, Dauda Kavuma. A trajetória do grupo começou em 2014, quando cinco crianças publicaram um vídeo dançando a música "Sitya Loss", do cantor Eddy Kenzo, que viralizou após ser compartilhado pelo próprio artista. Desde então, os vídeos do grupo ganharam qualidade, com coreografias mais elaboradas e os integrantes usando calçados, mas mantendo a energia contagiante e o estilo cômico de dança.
Além das redes sociais, o grupo já participou de programas como "America's Got Talent: Fantasy League" e "Britain's Got Talent", além de ter aparecido em um videoclipe com o rapper French Montana. Agora, eles retornam aos Estados Unidos para um evento de maior visibilidade.
Apesar do otimismo, há uma preocupação relacionada à situação sanitária na região. Uganda enfrenta um surto de Ebola, com sete casos confirmados e uma morte, e as autoridades fecharam a fronteira com a República Democrática do Congo para conter a disseminação do vírus. Atualmente, pessoas que estiveram nos últimos 21 dias em Uganda, Congo ou Sudão do Sul estão proibidas de entrar nos Estados Unidos, exceto cidadãos americanos. Mesmo assim, o gerente Dauda Kavuma mantém a esperança de que tudo correrá bem para a viagem.
Os Ghetto Kids serão a única representação de Uganda na Copa do Mundo, já que a seleção nacional não conseguiu se classificar para o torneio. Entre os integrantes, o jovem Ssegirinya Madwanah King, de 15 anos, declarou que torcerá por Portugal durante a competição e está ansioso para a apresentação com Shakira e para assistir aos jogos nos Estados Unidos.
O grupo representa um exemplo de superação social, transformando a vida de crianças que antes não tinham acesso à educação, viagens ou necessidades básicas. Para muitos deles, fazer parte dos Ghetto Kids significa uma nova família e uma chance de mudar seu destino.
Essa participação no evento esportivo de maior alcance global pode ampliar a visibilidade do grupo e de Uganda, além de destacar a importância da arte e da cultura como ferramentas de inclusão social. A presença dos Ghetto Kids no palco da final da Copa do Mundo também pode inspirar outras iniciativas que busquem integrar jovens em situação de vulnerabilidade por meio da dança e da música.
Do ponto de vista estratégico, essa exposição internacional pode abrir portas para parcerias e investimentos em projetos culturais e sociais em Uganda. Além disso, a participação em um evento de grande audiência global reforça o papel da cultura como elemento de soft power para países em desenvolvimento. No entanto, a situação sanitária na região e as restrições de viagem podem representar desafios logísticos e de segurança que precisam ser monitorados de perto nos próximos dias.
Em suma, a colaboração entre os Ghetto Kids e Shakira na final da Copa do Mundo simboliza um encontro entre esporte, cultura e inclusão social, com potencial para gerar impactos positivos tanto para as crianças envolvidas quanto para a imagem internacional de Uganda.