Geopolítica Estratégica

GEOPOLÍTICA

ESTRATÉGICA

domingo, 04 de janeiro de 2026
⚡ BREAKING:
⚡ BREAKING NEWS
← Voltar para início
geopolitica

United Russia caminha para controlar mais de três quartos da Duma russa

Resultados oficiais quase completos deram 57,86% dos votos de lista ao partido governista, e a projeção é de uma maioria superior a três quartos das 450 cadeiras.

United Russia caminha para controlar mais de três quartos da Duma russa

O United Russia, partido governista russo, ficou com 57,86% dos votos de lista na apuração oficial de 90,43% das urnas das eleições parlamentares encerradas em 20 de setembro. A projeção é que a sigla conquiste mais de três quartos das 450 cadeiras da Duma, a Câmara baixa do Parlamento russo, ao somar os assentos distribuídos pelo voto em listas e pelas disputas locais.

O tamanho dessa maioria importa porque consolida uma Câmara amplamente alinhada ao governo em um momento de guerra. Esta foi a primeira eleição parlamentar da Rússia desde a invasão em larga escala da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. O resultado final ainda depende da consolidação da apuração e da distribuição definitiva das cadeiras.

Os demais partidos ficaram muito atrás. Os comunistas receberam 13,8% dos votos e 40 assentos, segundo os dados reportados. O LDPR obteve 25 cadeiras, e o New People, 20. O partido liberal Yabloko não conquistou representação nacional, embora tenha declarado ter entrado no Parlamento regional de Novgorod com pouco mais de 6% dos votos locais.

A votação também ocorreu entre moradores de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhia, regiões ucranianas ocupadas que Moscou declarou anexadas em 2022. A anexação não é reconhecida internacionalmente, e a inclusão dessas áreas amplia a contestação sobre a legitimidade do processo.

As críticas não se limitaram aos territórios ocupados. Yabloko e o Partido Comunista disseram que seus observadores foram impedidos de entrar em várias seções eleitorais. A Rússia tampouco convidou observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, a OSCE. O presidente da Assembleia Parlamentar da entidade afirmou que a decisão violou compromissos assumidos por Moscou como membro da organização.

Kaja Kallas, alta representante da União Europeia para a política externa, chamou a eleição de votação de fachada e acusou o Kremlin de silenciar dissidentes, barrar o único partido registrado contrário à guerra e excluir monitores internacionais. As autoridades russas divulgaram os resultados como expressão do voto, mas a ausência de observação internacional e as denúncias de partidos participantes mantêm a disputa sobre como interpretar a eleição.

O resultado, portanto, vai além da composição formal da Duma. Ele dá ao United Russia uma maioria parlamentar excepcionalmente ampla, enquanto a votação em territórios ocupados e as restrições denunciadas por críticos reforçam o embate internacional sobre a validade política do pleito.