Na sequência de uma escalada significativa nos ataques militares conduzidos pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, pelo menos 34 pessoas perderam a vida, incluindo seis crianças. Os ataques ocorreram em diversas regiões do país, atingindo desde áreas residenciais até instituições acadêmicas de grande relevância, como a Sharif University, considerada uma das principais universidades científicas do Irã, frequentemente comparada ao Massachusetts Institute of Technology (MIT) dos Estados Unidos.
Os bombardeios foram realizados após o presidente americano Donald Trump estabelecer um prazo até terça-feira para que o Irã reabra completamente o Estreito de Hormuz, uma rota marítima estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás global. Caso o prazo não fosse cumprido, Trump ameaçou realizar ataques contra usinas de energia e pontes iranianas.
De acordo com relatos das autoridades locais, um ataque aéreo na província de Teerã, no condado de Baharestan, resultou na morte de 23 pessoas, entre elas quatro meninas e dois meninos com menos de 10 anos. Em Qom, uma cidade central do país, cinco pessoas morreram após um ataque a um prédio residencial, enquanto outras seis vítimas fatais foram registradas em Bandar-e Lengeh, no sul do Irã.
Além dessas localidades, pelo menos doze cidades iranianas foram afetadas pelos ataques, incluindo Bandar Abbas, Ahvaz, Mahshahr, Shiraz, Isfahan e Karaj. A Sharif University, localizada em Teerã, sofreu danos severos, especialmente em seu complexo de laboratórios e na mesquita interna, conforme informações de correspondentes presentes na capital.
O Ministério da Ciência e Tecnologia do Irã informou que desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, ao menos 30 universidades foram atingidas por ataques. Além das instituições acadêmicas, outras infraestruturas civis, como estradas, usinas de energia e pontes, também foram alvos das operações militares.
Em resposta às ameaças e ataques, o governo iraniano declarou que reagirá de forma equivalente a qualquer agressão contra sua infraestrutura. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que o país não será pressionado a aceitar acordos desfavoráveis e classificou as declarações do presidente Trump como um estímulo a crimes de guerra e contra a humanidade.
Ali Akbar Velayati, conselheiro do Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, alertou para os riscos de um erro de cálculo que possa interromper significativamente o fluxo global de energia e o comércio internacional. Ele destacou que, embora os Estados Unidos tenham aprendido algumas lições da história do Irã, ainda não compreendem completamente a complexidade geopolítica da região.
Simultaneamente, Israel também enfrentou ataques com mísseis, com alarmes soando em várias partes do país. Na madrugada de terça-feira, foram lançadas quatro salvas de mísseis iranianos. Equipes de resgate recuperaram dois corpos nos escombros de um prédio atingido em Haifa, enquanto duas pessoas permanecem desaparecidas. Serviços de ambulância e defesa civil relataram diversos feridos, alguns em estado grave, em mais de 20 localidades, incluindo Tel Aviv, Petah Tikva e Ramat Gan.
Imagens divulgadas mostraram fumaça sobre regiões como Gush Dan e Bnei Brak, além de danos menores em edifícios de Tel Aviv. Uma mulher de 34 anos foi gravemente ferida por mísseis interceptores em Petah Tikva.
A atual fase do conflito demonstra uma escalada significativa nas operações militares entre Irã, Estados Unidos e Israel, com impactos diretos sobre civis e infraestrutura crítica. A escolha de alvos como universidades e áreas residenciais indica uma ampliação do espectro dos ataques, que ultrapassa instalações estritamente militares.
Do ponto de vista estratégico, a continuidade desses ataques pode aprofundar a instabilidade regional, afetando não apenas o Irã e seus vizinhos, mas também o mercado global de energia, dada a importância do Estreito de Hormuz para o transporte de petróleo. A retórica agressiva e as ameaças de retaliação aumentam o risco de um conflito prolongado, com potencial para envolver outras potências internacionais.
Para os próximos passos, é provável que o Irã intensifique suas respostas a ataques contra sua infraestrutura, enquanto os Estados Unidos e Israel podem manter ou ampliar suas operações para pressionar o governo iraniano a ceder em suas posições estratégicas. A situação exige monitoramento atento, pois qualquer incidente pode desencadear uma escalada ainda maior, com consequências imprevisíveis para a segurança e a economia global.