O vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, manifestou publicamente a necessidade de a União Europeia reconsiderar a suspensão das importações de petróleo e gás da Rússia, destacando a importância da segurança energética para o bloco. Salvini, líder do partido Lega, fez o apelo durante um comício intitulado "Patriotas pela Europa", realizado na Piazza Duomo, em Milão, no dia 18 de abril de 2026. Ele argumentou que a atual crise energética europeia, agravada pelo conflito no Oriente Médio, exige uma revisão das políticas vigentes na UE.
A tensão na região do Estreito de Hormuz, rota estratégica responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo e gás natural liquefeito, tem causado interrupções significativas na navegação. Desde fevereiro, essas perturbações levaram a um aumento de até 70% nos preços do petróleo, impactando diretamente a economia europeia. Salvini criticou duramente o Pacto de Estabilidade e Crescimento da UE, bem como o Green Deal, classificando-os como obstáculos para a recuperação econômica da Itália.
Segundo o vice-primeiro-ministro, a suspensão das regras do Pacto de Estabilidade é necessária para que recursos financeiros sejam direcionados para auxiliar os italianos em dificuldades. Ele também pediu que a UE siga o exemplo dos Estados Unidos, que flexibilizaram temporariamente as sanções contra determinadas exportações russas de petróleo. Essa medida americana foi adotada após o fechamento do Estreito de Hormuz pelo Irã, em resposta a ataques aéreos dos EUA e Israel na região.
Salvini ressaltou que, enquanto os Estados Unidos permitem a compra de petróleo russo carregado antes de 12 de março, a União Europeia mantém restrições que, em sua visão, prejudicam a indústria e serviços essenciais, como fábricas, escolas e hospitais. Ele enfatizou que a Itália não está em guerra com a Rússia e, portanto, deveria retomar as importações energéticas para garantir a estabilidade interna.
Em janeiro de 2026, a UE aprovou formalmente um plano para eliminar gradualmente o gás russo proveniente de gasodutos até 2027, apesar das objeções de países como Eslováquia e Hungria. Estes países contestaram a decisão, com a Hungria levando o caso ao Tribunal de Justiça da União Europeia e a Eslováquia anunciando intenção de seguir o mesmo caminho. O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, classificou a proibição como uma violação dos princípios fundamentais dos tratados da UE.
O contexto geopolítico atual, marcado por tensões no Oriente Médio e a complexidade das relações entre a UE, Rússia e Estados Unidos, coloca em evidência os desafios da segurança energética europeia. A posição de Salvini reflete uma corrente de pensamento que prioriza a estabilidade econômica imediata em detrimento de considerações políticas e ambientais mais amplas.
Analisando o cenário, a pressão para retomar as importações russas pode intensificar os debates internos na UE sobre a autonomia energética e a dependência de fontes externas. Caso a União Europeia opte por flexibilizar as sanções, isso poderá aliviar a pressão sobre os preços da energia no curto prazo, mas também pode gerar tensões diplomáticas com aliados ocidentais que mantêm uma postura mais rígida contra a Rússia.
Além disso, a continuidade das restrições pode forçar os países europeus a acelerar investimentos em fontes alternativas de energia, o que, embora alinhado com metas ambientais, pode demandar tempo e recursos significativos. Portanto, as decisões tomadas nos próximos meses serão cruciais para definir o equilíbrio entre segurança energética, estabilidade econômica e posicionamento geopolítico da União Europeia.