A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã na região do Golfo Pérsico marcou a semana, com ataques a navios-tanque e embarcações militares, além da captura de um drone submarino americano pelo Irã. Washington atingiu cinco petroleiros iranianos, enquanto Teerã retaliou com ataques a oito navios e duas embarcações da Marinha dos EUA, além de danos a aeronaves americanas em base na Jordânia. O Irã reafirmou seu controle sobre o Estreito de Hormuz e anunciou a criação de uma nova zona de restrição à navegação próxima.
Esses eventos impulsionaram o preço do barril de petróleo Brent acima de US$ 100, um patamar não visto há meses, agravado ainda por ataques dos houthis à infraestrutura energética da Arábia Saudita e pela queda da produção saudita ao menor nível desde 1990. A instabilidade no mercado de energia global tem impacto direto nas eleições legislativas americanas de novembro, com o presidente Donald Trump prometendo intensificar ataques contra embarcações iranianas e oferecendo um "dividendo Trump" de US$ 5 mil para cada adulto americano caso os republicanos mantenham o controle do Congresso, sem detalhar a fonte dos recursos.
Na Europa, a política interna alemã sofreu um abalo com a vitória expressiva do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) em Saxônia-Anhalt, obtendo 43,8% dos votos e desafiando o governo do chanceler Friedrich Merz. O AfD tem se posicionado contra as sanções à Rússia, o apoio alemão à Ucrânia e a substituição da energia russa por fontes mais caras. Apesar do choque, Merz descartou mudanças na política atual. A União Europeia ameaçou cortar fundos para o estado caso o AfD forme governo, aumentando a tensão entre Bruxelas e Berlim.
Na Ucrânia, denúncias de corrupção abalaram o governo de Volodymyr Zelenskyy. Investigações apontam que o setor de fraudes telefônicas gera cerca de US$ 1 bilhão mensais, com suspeitas de proteção por parte de autoridades, incluindo o chefe do Gabinete Presidencial, Kyrylo Budanov. O procurador-geral Ruslan Kravchenko permanece no cargo, sem confirmação oficial de renúncia. Além disso, o jornal The New York Times revelou que a Ucrânia perdeu cerca de US$ 1,2 bilhão em fraudes e má gestão na compra de equipamentos militares em 2024.
No campo diplomático, os Estados Unidos mantêm esforços para retomar negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, com visitas recentes de enviados presidenciais a Moscou e Kiev, e uma conversa telefônica entre Trump e Putin. Moscou expressa expectativa pela retomada das conversas trilaterais, enquanto Zelenskyy sugere os Emirados Árabes Unidos, Turquia e Suíça como possíveis locais para negociações.
A tensão entre Rússia e Europa permanece alta, com retaliações russas contra instituições alemãs na Rússia e a expulsão de diplomatas russos pela Hungria, cujo governo atual adotou postura mais rígida em relação a Moscou. A Lituânia avança na possibilidade de revogar a proibição constitucional de armas de destruição em massa em seu território, o que poderia incluir armas nucleares, provocando alertas russos.
Por fim, a suposta ameaça de um drone russo contra o avião do presidente Zelenskyy em Moldávia foi desmentida pelas autoridades locais, que confirmaram que a aeronave estava em solo e que o drone caiu a cerca de 160 km do aeroporto de Chisinau. Enquanto isso, Rússia e Índia ampliam cooperação econômica e tecnológica, com acordos para a venda de 105 aviões regionais russos e planos para produção local, além de discussões sobre comércio, energia e espaço durante a visita do presidente Vladimir Putin a Nova Délhi.
Esses acontecimentos refletem um cenário global marcado por conflitos regionais, instabilidade econômica e mudanças políticas significativas, com impactos diretos nas relações internacionais e na segurança global.
Crédito da imagem: The Presidential Office of Ukraine . (CC BY 4.0).