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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Cúpula dos Brics em Delhi destaca divisões internas e influência das políticas de Trump

A cúpula dos Brics em Delhi reúne 11 países e evidencia divisões internas diante das políticas dos EUA sob Trump. O grupo busca avanços em cooperação financeira, mas evita confrontos diretos com Washington, refletindo interesses divergentes entre seus membros.

Cúpula dos Brics em Delhi destaca divisões internas e influência das políticas de Trump

A cúpula dos Brics realizada em Delhi reúne líderes de 11 países, incluindo Índia, China, Rússia, Brasil, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e Irã, com a Arábia Saudita como membro convidado. O encontro ocorre em um contexto marcado pela influência das políticas do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, embora não faça parte do grupo, impacta significativamente as dinâmicas globais discutidas no evento.

As tensões provocadas pela guerra no Irã e as ameaças de tarifas impostas por Washington têm desestabilizado os mercados energéticos e gerado incertezas na economia mundial. Apesar disso, o bloco enfrenta dificuldades para emitir uma declaração conjunta que critique abertamente os Estados Unidos ou apresente uma estratégia coordenada contra as políticas de Trump, devido às divergências internas entre seus membros.

Países como Rússia e Irã defendem uma postura mais firme contra Washington, enquanto Índia e China adotam uma abordagem mais cautelosa. A Índia, que está próxima de fechar um acordo comercial com os EUA, evita declarações que possam prejudicar suas relações bilaterais. Já os Emirados Árabes Unidos, que mantêm bases militares americanas e foram alvo de ataques iranianos, também resistem a apoiar posicionamentos que favoreçam o Irã.

A expansão do Brics para 11 membros ampliou sua relevância global, representando 49% da população mundial, 40% do PIB global e 26% do comércio internacional. No entanto, essa ampliação também dificultou a obtenção de consensos, dada a diversidade de interesses e visões sobre a ordem mundial. Entre as conquistas do grupo estão o Novo Banco de Desenvolvimento e um fundo de reserva de US$ 100 bilhões para crises financeiras, além de iniciativas para facilitar pagamentos em moedas locais, especialmente relevantes para países sancionados como Rússia e Irã.

A cúpula também é uma oportunidade para a Índia fortalecer sua liderança no Sul Global, alinhando-se a prioridades como o multilateralismo, maior representação de países em desenvolvimento e comércio global mais livre. Contudo, o país enfrenta o desafio de equilibrar sua influência diante da presença significativa da China na África e América Latina.

As reuniões bilaterais entre Narendra Modi, Xi Jinping e Vladimir Putin serão acompanhadas de perto, com temas como a guerra na Ucrânia e o déficit comercial da Índia com Rússia e China em pauta. A Índia busca, assim, consolidar sua posição diplomática e geopolítica em um momento em que o papel do país no cenário internacional está em evidência.

Apesar das divergências, os membros do Brics devem buscar avanços em cooperação financeira e evitar confrontos diretos com os Estados Unidos, refletindo a complexidade das relações internacionais atuais. A cúpula em Delhi representa, portanto, um teste para a capacidade do grupo em se posicionar como uma alternativa relevante aos blocos tradicionais como G7 e G20, ao mesmo tempo em que destaca os desafios internos que limitam sua coesão.

Crédito da imagem: Presidential Press and Information Office (CC BY 4.0).