A Ucrânia enfrenta novas dificuldades para receber armamentos essenciais à sua defesa, enquanto Israel tenta definir seu futuro político após anos de conflitos no Oriente Médio. No Giro do Dia desta terça-feira, 27 de outubro, dois acontecimentos mostram como decisões tomadas em Washington e nas urnas israelenses podem influenciar diretamente o cenário militar internacional.
Zelensky cobra liberação de mísseis já pagos por aliados europeus
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky voltou a pressionar os Estados Unidos pela liberação de mísseis destinados aos sistemas de defesa aérea Patriot e NASAMS. Segundo o líder ucraniano, o país aguarda há quase um mês a autorização do secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, para receber equipamentos considerados essenciais na proteção contra os ataques russos. A situação se torna ainda mais delicada com a aproximação do inverno, período em que a infraestrutura energética ucraniana enfrenta riscos adicionais devido aos bombardeios.
O detalhe que torna a disputa particularmente sensível é que parte desses armamentos já foi financiada por países europeus por meio do programa PURL, coordenado pela OTAN. Nesse mecanismo, os aliados pagam por equipamentos americanos destinados à Ucrânia, mas sua entrega continua dependendo dos procedimentos e das autorizações de Washington. Zelensky suspeita que a demora esteja relacionada a decisões políticas do governo Trump. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reconheceu que um lote de interceptadores poderia não ter sido entregue, mas negou que o atraso tivesse motivação política.
A situação expõe uma vulnerabilidade estratégica da Ucrânia: mesmo quando seus aliados europeus disponibilizam recursos para adquirir armamentos, Kiev continua dependente das decisões americanas para receber parte dos equipamentos mais importantes de sua defesa. Os sistemas Patriot são especialmente relevantes na interceptação de mísseis balísticos russos, enquanto os NASAMS ajudam na proteção contra diferentes ameaças aéreas. Uma demora prolongada nas entregas pode limitar a capacidade ucraniana de proteger cidades e instalações de energia, demonstrando que financiar armamentos não significa necessariamente garantir sua disponibilidade no campo de batalha.
Israel encerra eleições sem maioria clara para formar governo
Israel realizou nesta terça-feira sua primeira eleição parlamentar desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, em uma votação marcada pelo debate sobre a segurança nacional e a continuidade do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A participação dos eleitores foi elevada, alcançando 77,7%, segundo dados divulgados pela comissão eleitoral israelense. Entretanto, as primeiras pesquisas de boca de urna indicam um cenário de impasse: o bloco de oposição liderado pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot aparece com aproximadamente 52 cadeiras no Parlamento, contra 50 para os partidos aliados a Netanyahu. Outros 18 assentos são atribuídos a partidos árabes, que não integram formalmente esses blocos. Os números são projeções, não resultados oficiais.
Para entender o impasse, é necessário lembrar que os israelenses não elegem diretamente o primeiro-ministro. Eles votam nos partidos que ocuparão as 120 cadeiras do Knesset, e formar um governo normalmente exige reunir pelo menos 61 parlamentares. Mesmo que a oposição termine à frente do bloco governista, isso não garante automaticamente a saída de Netanyahu, já que a formação de uma coalizão dependerá de negociações entre partidos com interesses diferentes.
A eleição também funciona como um julgamento político da condução das guerras em Gaza, Líbano e Irã, além das falhas de segurança que permitiram os ataques de 2023. Netanyahu defende sua atuação militar e afirma ter fortalecido a segurança israelense, enquanto seus adversários questionam suas decisões e a responsabilidade do governo. Contudo, uma eventual mudança de primeiro-ministro não significaria necessariamente uma transformação imediata na política militar do país. Eisenkot também defende posições rígidas em matéria de segurança, e o próximo governo terá de administrar conflitos regionais, relações com os Estados Unidos e profundas divisões internas. Por enquanto, a principal conclusão das urnas é que nenhum dos blocos tradicionais demonstrou possuir uma maioria suficiente para governar sozinho.