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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Netanyahu anuncia processo contra jornal israelense por reportagem sobre alerta dos Emirados antes do ataque de 7 de outubro

Benjamin Netanyahu anunciou processo contra o jornal Haaretz após reportagem que afirma que os Emirados Árabes Unidos o alertaram sobre ataque do Hamas em 7 de outubro. O governo israelense nega o alerta e acusa o jornal de tentar interferir nas eleições.

Netanyahu anuncia processo contra jornal israelense por reportagem sobre alerta dos Emirados antes do ataque de 7 de outubro

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou que advogados iniciem um processo por difamação contra o jornal israelense Haaretz, após a publicação de uma reportagem que afirma que o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohammed bin Zayed Al Nahyan, teria alertado Netanyahu sobre uma operação planejada pelo Hamas pouco antes dos ataques de 7 de outubro de 2023. Segundo trechos de um livro publicados pelo Haaretz, a conversa telefônica entre os líderes teria ocorrido em setembro, com o emir expressando preocupação sobre uma ação que poderia causar grande instabilidade regional.

O gabinete de Netanyahu negou veementemente a existência desse alerta, classificando a reportagem como parte de um "plano sinistro". Por sua vez, o Haaretz, conhecido por sua postura crítica ao primeiro-ministro, manteve a veracidade da matéria, rejeitando as acusações de difamação e afirmando que a iniciativa judicial visa silenciar a crítica jornalística.

A reportagem, que surge em meio à campanha eleitoral israelense para as eleições gerais de 27 de outubro, detalha que um representante da embaixada dos Emirados teria levado um telefone especial ao gabinete de Netanyahu para garantir a confidencialidade da conversa. Durante o diálogo, o líder emirati teria informado que o chefe do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, planejava uma operação descrita como um "terremoto". Netanyahu teria respondido com calma, avaliando que o Hamas pretendia agir na Cisjordânia e assegurando que Israel estava preparado para qualquer cenário.

Além disso, o Haaretz relata que o presidente dos Emirados compartilhou essa conversa com o então diretor da CIA, William J. Burns, e que Netanyahu não teria informado os chefes das agências de segurança israelenses sobre o alerta recebido. O episódio reacende críticas sobre a resposta do governo israelense ao ataque de 7 de outubro, quando milhares de militantes do Hamas invadiram comunidades israelenses próximas à Faixa de Gaza, resultando em cerca de 1.200 mortos e centenas de reféns.

Em resposta à reportagem, o partido Likud, de Netanyahu, acusou o Haaretz de interferência estrangeira nas eleições, enquanto o primeiro-ministro afirmou que a publicação tem "timing político claro" e faz parte da campanha da esquerda. Advogados do jornal afirmaram que a investigação jornalística é profunda e baseada em fontes confiáveis, ressaltando a importância do tema para o interesse público.

Os Emirados Árabes Unidos não negaram nem confirmaram a conversa, mas destacaram que mantêm canais abertos de comunicação com Israel desde o estabelecimento das relações há mais de cinco anos, e que têm trabalhado para a desescalada e estabilidade regional após o ataque do Hamas.

Quatro líderes da oposição israelense emitiram uma declaração conjunta pedindo uma investigação sobre o ocorrido, afirmando que Netanyahu e seus aliados são incapazes de continuar no governo e que trabalharão para evitar outro desastre. A reportagem do Haaretz coincide com outras tensões recentes, como as sanções do Reino Unido contra assentamentos ilegais na Cisjordânia, que provocaram retaliações do governo israelense, incluindo o fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental.