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domingo, 04 de janeiro de 2026
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Conflitos

Por que Kim Jong Un não depende mais de acordo com os EUA

Kim Jong Un rejeita negociações com os EUA, fortalecendo alianças com Rússia e China e ampliando seu arsenal nuclear. A Coreia do Norte busca reconhecimento internacional como potência nuclear, enquanto sanções perdem eficácia.

Por que Kim Jong Un não depende mais de acordo com os EUA

As tentativas do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de negociar com o líder norte-coreano Kim Jong Un não avançaram, refletindo uma mudança significativa na postura de Pyongyang. Enquanto Trump buscava um acordo que envolvesse a desnuclearização da Coreia do Norte, o regime de Kim tem acelerado seu programa nuclear e fortalecido alianças estratégicas com Rússia e China.

Em 2026, a Coreia do Norte demonstrou sua crescente autoconfiança ao ignorar as ofertas diplomáticas americanas, realizando testes de mísseis e ampliando sua capacidade militar naval. Recentemente, Kim comissionou um destróier naval e anunciou avanços significativos na defesa marítima, reforçando a mensagem de que o país não vê mais urgência em negociar com Washington.

Especialistas apontam que a aliança formalizada com Moscou e o estreitamento dos laços com Pequim oferecem a Pyongyang alternativas que reduzem a necessidade de um acordo com os EUA. A economia norte-coreana tem mostrado sinais de recuperação, com crescimento estimado em 3,7% em 2024, o que contribui para a estabilidade interna do regime.

Desde a cúpula com Vladimir Putin em 2023, a Coreia do Norte tem fornecido armamentos à Rússia para o conflito na Ucrânia, recebendo em troca apoio financeiro e tecnológico que contorna as sanções internacionais. A resposta chinesa a essa aproximação foi inicialmente cautelosa, mas evoluiu para um posicionamento mais ativo, com Kim participando de eventos oficiais ao lado dos líderes russo e chinês.

Notavelmente, as recentes declarações conjuntas entre os três países omitiram qualquer menção à desnuclearização da península coreana, indicando uma mudança na retórica diplomática. Kim declarou em 2026 que o status nuclear da Coreia do Norte é "irreversível" e busca o reconhecimento dos EUA como potência nuclear, condição para futuras negociações.

O regime possui atualmente cerca de 60 ogivas nucleares, o dobro do estimado durante as negociações com Trump. A Coreia do Norte não busca mais acordos que envolvam o desarmamento, mas sim o reconhecimento internacional de seu arsenal nuclear.

As sanções internacionais, impostas desde 2006, perderam eficácia devido à falta de aplicação rigorosa por parte de Rússia e China, que agora priorizam seus interesses estratégicos com Pyongyang. Assim, a Coreia do Norte não sente mais a pressão econômica que a obrigaria a negociar com os EUA, consolidando sua posição como um Estado nuclear de fato.